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O Início do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí

O Núcleo Colonial Barão de Jundiaí constitui terreno fértil para um trabalho de História da Arquitetura e Planejamento. Por ser um assentamento realizado de acordo com as normas estabelecidas pela Inspetoria Geral de Terras e Colonização, organizada pelo Governo Imperial em 1876, ele possui documentação farta, desde a sua criação. A partir de 04 de outubro de 1887, data do projeto do Núcleo Colonial, foram registrados todos os momentos de sua implantação e desenvolvimento. Além disso, mais de 100 anos depois ainda é possível observar várias das construções originais ainda atendendo a seus primeiros usos, e também encontrar pessoas capazes de dar depoimentos sobre o núcleo, uma vez que testemunharam o seu desenvolvimento.

Os documentos disponíveis permitem analisar as etapas de planejamento, implantação e povoamento do Núcleo. As informações existentes permitem estudar as casas e seus utensílios a partir de dois tipos de dados:

1. Registro e estudo das construções originais, conservadas inalteradas.

2. Levantamento da Memória Construtiva, a partir de entrevistas com os moradores mais antigos que tiveram contato, testemunharam ou que tinham referências sobre a implantação e desenvolvimento das construções.

O interesse pelo registro da memória dos mais velhos foi fortemente influenciado pela publicação de um livro de Ecléa Bosi, "Lembranças de Velhos", editado em 1979. Até então, não havia notícia de trabalhos de pesquisa em arquitetura que buscassem anotar de maneira sistemática o depoimento das pessoas envolvidas. E, entre as conclusões ficou a de que este trabalho permitiu a elaboração de um procedimento que pode ser usado em conjuntos de construções, desde de que estejam enquadrados em três condições: que as construções tenham sido simultâneas, que haja documentos sobre sua implantação, e que se possa obter, através do relato das pessoas, o registro de sua memória.

Como parte deste procedimento, com o objetivo de identificar as pessoas que poderiam contar a história do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí, foi apresentado por ocasião da Festa da Uva do Caxambu em 1980, bairro vizinho, parte do material disponível: fotografias, mapas, documentos e utensílios. Os visitantes da Festa da Uva, identificados com os objetos e documentos mostrados, foram convidados a acrescentar informações e indicar as pessoas que poderiam ser entrevistadas. A partir daí, relacionei 37 pessoas que foram visitadas e entrevistadas de acordo com um roteiro pré estabelecido.

Para entendermos as casas rurais no Núcleo Colonial Barão de Jundiaí, seu ambiente e origens, bem como as razões de Núcleos Coloniais e suas relações com a cidade e a Província, é bom lembrarmos o principal responsável pela economia do século XIX: o café.

No final do século XVII, o sargento-mor Santos Prado, em uma chácara em Jundiaí, produziu sementes de café, difundindo-as para outras cidades que iniciaram plantações regulares. Essas experiências bem sucedidas determinaram uma economia rural que se espalhou por toda a Província. À medida em que as terras se esgotavam, novas áreas eram procuradas, principalmente no oeste paulista, e ferrovias foram sendo paulatinamente implantadas para escoar o produto até o porto de Santos, diminuindo o custo do transporte. Essas condições de desenvolvimento econômico que ocorreram nas fazendas do interior não se refletiram nas cidades, pelo menos até 1890, quando elas registravam uma população baixa e praticamente estagnada.

Este panorama propiciado pelo café foi bastante estudado e divulgado. São famosas algumas sedes de fazendas que recebiam requintes urbanos europeus, no mobiliário, nos serviços e na arquitetura, embora sempre construídas em taipa. Entretanto, estes estudos negligenciaram as casas populares, que são o mais verdadeiro resultado das necessidades expressas do trabalhador rural livre e que receberam, com frequência, o tratamento de arquitetura menor.

Luigi Cosenza, historiador italiano, afirma em seu livro "Storia della abitazione" que a distinção entre arquitetura áulica e arquitetura menor, na análise histórica e estética das habitações, é responsável pela própria evolução e decadência da habitação ao longo dos séculos.

Durante o século XIX a nobreza foi mantida pela economia cafeeira, embora perceba-se nítido declínio a partir de 1870, em função do problema de mão-de-obra escrava e a perspectiva da abolição. Em Jundiaí, o Sítio Grande, nesta época, era um exemplo deste declínio, tendo sido subdividido em diversas fazendas: Buritis, Monte Serrat, São Luiz e outras, que continuam em decadência até nossos dias.

A história do Sítio Grande permite entendermos a economia da Província de São Paulo. Especialmente se lembrarmos que seu presidente, em 1886 e 1887, foi o Visconde de Parnaíba, Antonio de Queiroz Telles, também proprietário do Sítio Grande, e que em seu governo empreendeu todos os esforços para a manutenção da produção e da oligarquia do café. Para isso estimulou a imigração em massa e providenciou condições para a recepção dos imigrantes, criando a Hospedaria dos Imigrantes, no Brás, em São Paulo, a Sociedade Promotora de Imigração, bem como alguns Núcleos Coloniais.



Fazenda Monte Serrat. Desmenbrada do
latifúndio Sítio Grande. Propriedade Antonio de
Queiroz Telles, Séc. XIX


Sociedade Giuseppe Garibaldi, 1906. A comunidade da Colônia, organizou-se de maneira particular, com sitemas de defesa próprios, ajuda mútua, como comprovem os estatutos da Sociedade Giuseppe Garibaldi, que, entre outros itens, não admitia brasileiros em seu quadro de sócios, apenas italianos ou filhos de italianos. Através dessa sociedade eram decididos problemas políticos e relações com poderes públicos. Acervo: Sociedade Nacional Beneficiente Barão de Jundiaí



 
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