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VITA MIA
O Núcleo, as Ferrovias e as Indústrias da Cidade

O Núcleo Colonial Barão de Jundiaí teve disponibilidade de mão de obra considerável que, constantemente, era absorvida pelas ferrovias (Companhia Paulista e São Paulo Railway) e pelas indústrias da cidade de Jundiaí.

O movimento diário dos que saíam , principalmente da área urbana desse núcleo, para o trabalho na cidade foi intenso. Por isso mesmo, o trabalho realizado fora do Núcleo de Jundiaí proporcionou um elo forte e constante de ligação entre a Colônia e cidade.

Mesmo em relação à área rural desse Núcleo, houve os que chegaram a trabalhar fora, embora, no que se refere às famílias que se firmaram na agricultura comercial, em geral, todos os seus membros permaneciam no sítio, no contexto do trabalho em família.

Os imigrantes ou descendentes que residiam em sítios e chegaram a trabalhar na cidade, em ferrovias ou indústrias, por um lado, deixavam de participar do trabalho familiar que lhes proporcionava o sustento diário, proveniente da terra. Por outro lado, ofereciam à familia novos recursos econômicos, provenientes do trabalho assalariado, recursos estes que lhes permitiam poupar ao longo do tempo.

Houve familias que se firmaram na criação de animais (vacas leiteiras para o comércio de leite) ou na horticultura, enquanto alguns de seus membros trabalhavam em indústrias ou ferrovias.

O trabalho fora não era necessariamente o reflexo de uma situação econômica precária com relação aos recursos que a família poderia retirar com o trabalho do sítio. Porém, para as famílias em condições econômicas mais difíceis, o salário dos que trabalhavam fora era essencial. Por isso mesmo, alguns sitiantes acabavam sendo atraídos mais pelos salários que as indústrias da cidade e as ferrovias podiam proporcionar do que pelo lucro que poderiam obter com o trabalho da terra. Na área urbana do Núcleo, havia muitos chacareiros com famílias relativamente numerosas e era comum pai e filhos trabalharem fora.

Podemos mencionar várias indústrias para as quais os habitantes do Núcleo se dirigiam para o trabalho diariamente: Oficina Arens, Ferraria Agrícola (depois, Compania Mecânica e Importadora de São Paulo e atual SIFCO) , Fábrica de Cadeiras Pelliciari, na Ponte São João, Companhia Cerâmica Jundiaiense (atual Duratex) , Indústrias Francisco Pozzani, Indústrias Andrade-Latorre, São Bento (atual LAFIT) , Japy, Rappa Milani & Cia. Ltda, - Cotonifício FIDES, Glória, São Jorge e Argos Industrial (*).

(*) A Indústria de Tecidos Argos Industrial, hoje desativada, era a antiga indústria Trevisoli & Borin. Aleardo Borin, oriundo do Vêneto, que chegara ainda jovem em Jundiaí, após algum tempo passou a trabalhar no armazém da familia Rappa. Como vimos anteriormente, com a morte de Elia Rappa (em 1901) e a consequente ida de seu irmão Sperandio para a Itália (por volta de 1905), Aleardo Borin assumiu os negócios de Elia e Sperandio Rappa. Durante anos, Aleardo permaneceu em Jundiaí à testa de Rappa & Cia. Posteriormente, associado a um amigo, fundou Trevisoli & Borin, que se tornou depois a Argos Industrial, Indústria Têxtil. As mulheres também trabalhavam fora, em geral como tecelãs, nas fábricas São Bento, Argos, FIDES ou Glória, entre outras. Permaneciam no emprego até antes de se casarem, em geral com cerca de 20 ou 21 anos de idade.



Vista do estabelecimento industrial Cotonifício Fides Rappa & Milani, déc. 20.
Acervo: Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.



Interior da Indústria Cotonifício Fides Rappa & Milani, déc. 20.
Coleção: Fernanda Milani



Indústria Têxtil Trevisolli & Borin, déc. 20.
Acervo: Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.



 
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