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VITA MIA
A Companhia Paulista

Os indivíduos, que viviam na Colônia, contudo, davam preferência a empregos nas ferrovias, em especial, na Companhia Paulista. Aliás, considerava-se até um "privilégio" trabalhar nesta Companhia, apesar da baixa remuneração dos salários. Eis o que disse um dos entrevistados:

"Compensava trabalhar na Paulista, porque noutro lugar era ruim. Tanto é que quem trabalhava na Companhia Paulista, tinha crédito na cidade. . . porque nas outras indústrias, um mês pagava, outro mês não pagava . . . Era inseguro! Entrar na Companhia Paulista, não era fácil não ! Não era!.. mas a Paulista não pagava bem. . . só que não atrasava o pagamento".

Embora seja difícil quantificar, parece ter sido muito expressivo o número de pessoas que viviam no Núcleo e que trabalhavam nesta ferrovia. Da Colônia, diariamente, saíam para o trabalho nas oficinas desta Companhia: Primo e Leone Balsa; João Ceccato e os filhos Miguel, Antonio e José; Reinaldo e Antonio Massa; Luiz e Primo Servi; Alfredo Orlandi e dois filhos; Anibal Amadi e os filhos Arlindo, Amadeu ( por pouco tempo), Jorge e Virgilio; Arthur, Atílio e Natal Guerra; Cesar Ferrarini e seu filho Alberto; Antenor Piola; Emilio Panimonda e seu filho Altibano e Ferrucio Bistaffa, entre outros.



Interior das oficinas da Cia Paulista, final séc. XIX.
Acervo: Museu Ferroviário Barão de Mauá, Jundiaí.


No ano de 1928, a Companhia Paulista deliberou fundar em Jundiaí uma escola destinada a aperfeiçoar nos diversos ramos de atividades os filhos de seus numerosos operários, mas abrindo oportunidades também ao jovem que não tivesse o pai trabalhando lá.

Frequentaram a então Escola Profissional , em sua primeira turma, os grandes amigos de tantos anos Primo Balsa e José Ceccato. Ambos se aposentaram nesta ferrovia e nela trabalharam por mais de 30 anos.

A Companhia Paulista chegou ainda a mandar para as oficinas de Rio Claro indivíduos provenientes da Colônia, que já haviam trabalhado anteriormente nas oficinas de Jundiaí.

Foram para essa localidade João e Arquinto Lorenzetti, Luís e João Bagni, Romano Ferrarini, "Nini" Sibinel, Guerino Guerra e outros.

Enfim, a participação do imigrante e de seus descendentes enquanto trabalhadores nas novas formas de transportes, como a ferrovia, foi um fenômeno frequente, que ocorreu também em outros ponto do país.

As questões referentes à Companhia Paulista e aos italianos e descendentes da Colônia e de outras localidades da cidade, por si só, merecem uma pesquisa específica.



Fachada da Escola Profissional da Cia. Paulista, déc. 30.
Acervo: Museu Ferroviário Barão de Mauá, Jundiaí.



 
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