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VITA MIA
O Núcleo e os Empreendimentos Industriais

A CERÂMICA COLÔNIA
Na Colônia, as cerâmicas surgiram em época recente. É o caso da Cerâmica Colônia, empreendimento cuja iniciativa partiu, em especial, dos irmãos Spiandorin: Egidio, Duilio, Bruno e Roberto e ainda de Eugenio Gerola (descendentes de italianos do Núcleo Colonial) e João Bandeira, que tiveram uma vasta experiência dos tempos da Cerâmica Jundiaiense. Lá trabalharam cerca de 20 anos, João Bandeira, nos fornos e os outros companheiros, na fundição. A eles se associaram outras pessoas: Nicolau Kapacla, Fausto Zonaro e José Scarpi Filho, os dois últimos com experiência no setor administrativo.

A Cerâmica Colônia foi criada em 1948. Fabricavam-se sanitários e, a princípio, introduziu-se a louça branca vitrificada . Os primeiros "fornos redondos" foram construídos de tijolos de barro. Depois, vieram os dois "fornos-túneis"no sentido horizontal, de 100 m de comprimento cada um, aumentando a capacidade produtiva da fábrica.

Com os novos fornos, depois de muitas provas e experiências, introduziram a louça colorida com dez cores, fora o branco. A Cerâmica Colônia foi a primeira indústria de cerâmicos sanitários do Brasil e talvez da América Latina, a lançar os conjuntos coloridos para banheiros, segundo afirma o Sr. João Bandeira.

Em fevereiro de 1958, dez anos depois de sua fundação,a Cerâmica Colônia foi vendida para a multinacional Ideal Standard.

Posteriormente, quatro dos antigos fundadores da Cerâmica Colônia se associaram à CIDAMAR S/A: João Bandeira, José Scarpi Filho e os irmãos Duilio e Bruno Spiandorin. Além deles, também se associou a esta empresa Mauro, filho de Roberto Spiandorin.

Graças à grande experiência dos novos sócios, sobretudo no setor produtivo, foi possível introduzir os sanitários na CIDAMAR. Hoje, esta empresa teve o controle acionário transferido para o grupo multinacional suíço "INCEPA ".

OUTRAS CERÂMICAS
No bairro da Colônia, apareceram outras cerâmicas entre elas a Cerâmica Centenário Ltda., fundada em 1953; a Cerâmica Windlin Ltda., em 1955; a Cerâmica Brasão Ltda., em 1963; a Cerâmica Ideal Padrão, em 1964 (a antiga Cerâmica Elvetia).



Sócios da Cerâmica Colônia
Da esquerda para direita: Roberto Spiandorin, Egidio Spiandorin, José Sarpi Filho, Duilio Spiandorin, João Bandeira, Nicolau Kapacla, Eugenio Gerola e Fausto Zonaro
Coleção: João Bandeira


A Cerâmica Centenário (atual Cerâmica Califórnia) foi fundada por iniciativa de vários sócios, descendentes de antigos moradores do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí (das familias Guarisi , Segala, Zanatta e Arcifa).

A Cerâmica Brasão surgiu por iniciativa de Orlando Bagni, que se associou aos irmãos Cecchini, todos eles descendentes de imigrantes italianos, também antigos moradores do Núcleo de Jundiaí.

As Cerâmicas aqui mencionadas que estão circunscritas aos limites do antigo Núcleo Colonial são: Cerâmica Colônia, Windlin, Brasão e Ideal Padrão. A Cerâmica Califórnia está fora da circunscrição geográfica dele, porém, insere-se no chamado Bairro da Colônia, cuja origem é o Núcleo Colonial Barão de Jundiaí.

O CASO FRANCISCO POZZANI
Quanto às indústrias cerâmicas, o caso de Francisco Pozzani merece especial atenção.

Filho de Leonardo Pozzani, Francisco nasceu na Colônia em 1899 e lá viveu a sua infância e juventude. Junto à familia, morava num sítio (lote rural 75) que hoje faz parte dos domínios da Ideal Standard.

Bem jovem, começou a trabalhar primeiro na Cerâmica Vila Rami (onde se localiza hoje a CIDAMAR), que fabricava manilhas e, por volta de 1924, na Companhia Jundiaiense, que produzia conjuntos sanitários.

Casou-se primeiro com Ermida Pelliciari e o casal teve dois filhos. Viúvo, casou-se novamente com Rosalva Rossi em 1927, e vieram depois mais quatro filhos. Nessa época , já residia no bairro da Ponte São João e trabalhava ainda na "fábrica do Dr. Castilho" (Cerâmica Jundiaiense). Lá permaneceu até 1934, quando fundou a fábrica de velas de filtros, que funcionava adjunta à sua própria casa, a rua Santa Maria. (o produto foi aprovado pelo Serviço Sanitário do Estado de São Paulo, em 14 de maio de 1934).

A idéia de produzir velas para filtros veio-lhe, por volta de 1931, quando um de seus filhos, de acordo com prescrições médicas, necessitou beber água filtrada e fervida. Nessa época, os filtros eram estrangeiros e mesmo o mercado paulistano ressentia-se da falta deste produto. Acabou conseguindo o filtro, de marca LETE, de procedência italiana, cedido pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

A partir daí, começou a realizar os primeiros testes para a fabricação de velas.A princípio, utilizou os fornos da Cerâmica Jundiaiense, sob autorização da direção, para queimar algumas de suas experiências . Relembra o Sr. João Bandeira:

"Ajudei muito Fancisco Pozzani, quando eu trabalhavä na Cerâmica Jundiaiense, pra queimar as primeiras velas que ele fazia. . . Ele falava o ponto certo e eu queimava para ele. . ."

A partir de 1934, a fábrica de velas começou a funcionar. Até conseguir impor o seu novo produto no mercado, Francisco Pozzani começou a produzir também bibêlos e pedras refratárias.

Além da fábrica de velas para filtros, fundou posteriormente Cerâmica Carlos Gomes (antiga Santa Josefina, anteriormente propriedade da Cerâmica Jundiaiense). A princípio, introduziu a fabricação de sanitários e, por volta de 1939 , mudou a linha de produção , dando início à fabricação de porcelana doméstica. Hoje, trata-se das Indústrias Francisco Pozzani S/A.

Dentro do contexto geral, acerca daqueles que, da Colônia, saíam diariamente para o trabalho nas indústrias, tanto Francisco Pozzani, como depois os irmãos Spiandorin e Eugênio Gerola, e ainda os irmãos Cecchini e Orlando Bagni, entre outros, representaram casos singulares, uma vez que, no transcurso de suas vidas, ascenderam no plano social, passando de operários a empresários bem sucedidos.



Vista da Oficina Arens, 1906.
Acervo: Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.



Operários da Companhia Cerâmica Jundiahyense, déc. 20. Segundo Arostides Pileggi, em Cerâmica no Brasil e no Mundo, a Cia Cerâmica Jundiahyense teve primazia, como pioneira no Brasil do ramo de aparelhos de louça sanitária. Foi formado em 1924, com a aquisição do acervo das fábricas santa Josefina e São José, ambas fundadas por eloy de Miranda Chaves. Os empresários da nova indústria foram Dr. olavo Queiroz Guimarães, Jorge D. Oliva, Eloy de Miranda Chaves e o engenheiro Manuel Ildefonso A. de Castilho.



Operários da Companhia Cerâmica Jundiahyense, déc. 20.
Vista parcial do interior da fábrica.
Acervo: Duratex



Santa Josefina. Propriedade da Companhia Cerâmica Jundiahyense, 1922.
Acervo: Duratex



 
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