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VITA MIA
Indústria do Vinho

Como já foi dito, desde o início da colonização do Núcleo de Jundiaí, os proprietários de lotes rurais já cultivavam a videira para o consumo familiar, além da produção caseira do vinho. O excedente de produção da uva era vendido na cidade pelos antigos vendedores ambulantes que viviam na Colônia.

A viticultura acabou por tornar-se uma das riquezas econômicas do Núcleo Barão de Jundiaí. Por volta dos anos 20, lá surgiram as pequenas fábricas de vinho, não se extinguindo, contudo, a existência do vinho de fabricação caseira, destinado ao consumo próprio e ao comércio.

Dentre as pequenas fábricas que apareceram na Colônia, podemos mencionar várias, entre elas, as das famílias Poli, de João Rossi, de Florindo e Cristim Zambon, de Antonio Cecchini, de José Belesso, e de Orlando Bagni, que nos relata a atividade de seu pai.:

"O meu pai sozinho, vamos dizer, fazia 1000 litros de vinho, 2000 litros. . . A gente tinha uva e vendia vinho que nem faz esses sitiantes por aí".

O Sr. Orlando Bagni chegou a trabalhar "no Latorre e no Pozzani". Depois que seu pai faleceu, deixou de trabalhar fora e montou uma fábrica de vinho, no início dos anos 50.

"Fiz um barracão, fiz vinho, fiz uma cantina. . . Eu fazia uns 600, 700 mil litros de vinho por ano, até mais. . . O Cereser era meu amigo e eu negociava com ele. . . O Passarin (também). Trabalhei muito com vinho, mas chega a hora!. . . Eu já tinha uns quinze empregados . Eu carregava todo dia pra São Paulo um caminhão; engarrafava e mandava pra São Paulo. O resto vendia pra Piracicaba e Jundiaí. Em Jundiaí, o meu vinho era o mais vendido entre os bar, o vinho mais procurado. . . "

Contudo , por razões particulares à familia, segundo o que alegou, o Sr. Orlando Bagni deixou de produzir vinho e, em sociedade com or irmãos Cecchini, em 1963, fundou a Cerâmica Brasão, que passou a funcionar no mesmo local onde era a sua fábrica anterior.

Uma outra familia ligada ao Núcleo Colonial Barão de Jundiaí é a de Guido Passarin. Assim que os avós do Sr. Guido chegaram da Itália em 1888, dirigiram-se para esse Núcleo e adquiriram, diretamente do Governo, um lote de terra rural (lote 47 A).

O Sr. Guido nasceu no bairro da Colônia Italiana , em 1899. Lá permaneceu com sua familia até casar-se , ao contrário do que era comum ocorrer entre os habitantes dessa localidade, onde, em geral, os filhos homens casavam-se e continuavam morando com os pais. Sua nova vida com a esposa, D. Lucia Bressan , iniciou-se com muita dificuldade, quase sem dinheiro, contando , a princípio , com apenas um alqueire de terra virgem , doado por seus pais, no bairro de Água Fria (localidade próxima à Colônia).

Chegou por um certo tempo, a empregar-se num sítio da Vila São Pedro, trabalhando das 6 horas da manhã, até o por do sol. Enquanto trabalhava fora, sua esposa, com a ajuda dos filhos, cuidava dos serviços caseiros, dos animais e das plantações de uvas, tomates e outras frutas.

O Sr. Guido chegou também, durante muitos anos, a vender leite na cidade. Em 1932, começou a produzir vinho em pequena quantidade, dentro de um quarto de sua própria casa. Em 1945, a produção havia aumentado consideravelmente. Já contava com uma pequena cantina e tinha a ajuda dos filhos mais velhos. Com o passar dos anos, essa cantina foi-se transformando, aos poucos, em uma indústria.

Em 1961, foi para o Rio Grande do Sul e, na cidade de Flores da Cunha, Guido Passarin fundou uma filial da empresa. Hoje o vinho é produzido apenas no Sul e o seu engarrafamento processa-se na cidade de Jundiaí.

Assim como o Sr. Guido Passarin, o Cereser também nessa época expandiu seus empreendimentos da indústria do vinho para o Rio Grande do Sul.

Mesmo outros produtores de vinho de Jundiaí como Borin e Caldas (antiga De Vecchi), entre outros, também tiveram necessidade de procurar outras regiões mais propícias ao cultivo da uva destinada à produção do vinho.

No final dos anos 50, os pequenos fabricantes da Colônia, como Poli, Zambon, Cecchini e outros, vão deixando de produzir vinho. Tornava-se inviável produzi-lo, utilizando a uva local. Hoje, como nos lembra o Sr. Guido Passarin, "Jundiaí tem uva boa só de mesa, não para fazer vinho".

Na Colônia , o Sr. José Ceccato, relembrando a época em que, no sítio de sua família, também se fazia vinho, apenas para o consumo familiar, diz que:

"Naquele tempo, tinha graça! Hoje, você planta um pé de fruta, dá uma vez; duas vezes, ela não dá! A uva?. . . tanto é que nem tem! Não tem nenhum pé de uva!"

Dentre os poucos que ainda a produzem, podemos citar o exemplo do Sr. Octavio Balestrin. Hoje, a família cultiva a uva em pequena proporção e a produção do vinho é caseira. O excedente de sua produção é vendido principalmente para os amigos.



Estabelecimento Enológico De Vechi, 1928.
Prédio da antiga fábrica de vinho.
Acervo: Museu Histórico e Cultural de Jundiaí



 
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