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Home » Vita Mia » Cem anos de Imigração » Planejamento, Implantação e Povoamento do Núcleo
Em 1886, o Imperador D. Pedro II delegou às províncias a
responsabilidade pela criação de núcleos coloniais, cuja implantação
deveria ser feita em áreas que atendessem às seguintes condições: O trabalho pioneiro de planejamento rural e urbano desenvolvido para os núcleos coloniais teve como base as leis e normas do Império relativas a Terras e Colonização, especialmente o contrato "Designação de Lote e Terras", comum a todos os núcleos coloniais brasileiros. Este documento é extremamente detalhado, pois prevê e disciplina o uso do lote colonial em diversos aspectos: demarcações do lote, disposições para a manutenção dos marcos, área mínima para a cultura, área mínima para a construção da casa, definições para a abertura de estradas, distância mínima da estrada para a plantação de árvores. Para todos os itens do contrato eram determinados prazos e sanções. Núcleo foi implantado a partir da compra efetuada pelo governo da Província, de uma área de 221 alqueires denominada "Fazendinha", propriedade de Dona Jacinta Maria do Espírito Santo. O documento que comprova a compra de terras, datado de 10/11/1887, menciona expressamente o estabelecimento do Núcleo. A situação da área em relação à cidade era privilegiada. Da parte urbana do Núcleo ao centro de Jundiaí, percorre-se uma distância de 3 Km, e de 2 Km até a Estação Ferroviária mais próxima . O projeto, elaborado pelo engenheiro chefe da Comissão Especial de Terras e Colonização, datado de 4 de outubro de 1887, determinou três áreas: uma rural, com 83 lotes, entre 121.800 m² e 51.000 m²; outra suburbana, com 9 lotes entre 17.456 m² e 813 m² cada, e, ainda 81 lotes urbanos com áreas entre 3.440 m² e 1000 m². As diferenças dos tamanhos dos lotes rurais eram decorrentes da qualidade da terra e do relevo do terreno: os maiores, geralmente mais acidentados, eram chamados lotes secos, porque possuíam água em pequena parte do lote. Os mais próximos à área urbana eram menores e por isso denominados suburbanos. Os urbanos, de áreas bem menores, eram reservados e oferecidos às famílias proprietárias de lotes rurais, provavelmente na tentativa de reproduzir hábitos de assentamento em aglomerados rurais típicos das regiões de origem dos imigrantes. Todos os lotes rurais eram servidos por rios ou córregos. As estradas foram executadas seguindo as curvas de nível do terreno, na largura de "quatro braças". Na parte central urbana foram destinadas áreas para Praça, Igreja, Escola, além da área municipal. É importante salientar que a Inspetoria Geral de Terras e Colonização, criada pelo Governo Imperial em 1876, para organizar e normalizar a instalação de núcleos coloniais, define um ponto na história que marca o início dos assentamentos planejados no país. Os núcleos coloniais criados a partir de 1825 não vinham sendo bem sucedidos por inúmeras razões, tais como a falta de assistência às famílias assentadas no Núcleo Santo Amaro; ou a grande distância de centros urbanos, como ocorreu com a Colônia Nova Itália em Santa Catarina em 1836; ou ainda as dificuldades de acesso, como o Núcleo Barão de Mauá, nas escarpas da Serra da Mantiqueira. A partir de 1876 os Núcleos Coloniais passaram a ser planejados e projetados, e particularmente o "Barão de Jundiaí" atende a todos os requisitos, como demonstram os documentos, mapas e levantamentos aqui reproduzidos. Em 24 de setembro de 1887 chegaram ao Núcleo 22 colonos italianos. Já no começo de outubro fizeram o pedido de lotes, conforme os ofícios de nº 64 e 70 de 1º de outubro de 1887. Em novembro, eram 99 os habitantes do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí. O imigrante destinado ao Núcleo Colonial não passava pela Hospedagem do Imigrante na capital. Contava com passagem livre nas ferrovias e com abrigo no núcleo escolhido. Este abrigo passa a ser construído a partir de 28 de outubro de 1887, conforme descrição minuciosa dos materiais e quantidades, presentes no orçamento feito pelo engenheiro Joaquim Rodrigues Antunes Filho. O abrigo, conhecido como "Barracão", substituía a Hospedaria do Imigrante em São Paulo, e destinava-se a receber os recém-chegados, oferecendo abrigo, alimentação, assistência e orientação. Nas entrevistas com os moradores mais velhos foram descritas características do cotidiano do alojamento: "O barracão, onde era o armazém Benachio, tinha um caldeirão grande que cozinhava a sopa para todos". Mas antes disso, já havia colonos aguardando lotes: Sr. Giacomo Fiorotto pede o lote em 1 de outubro de 1887, e recebe a resposta de que será atendido "tão logo seja feita a demarcação". O mesmo acontece com as famílias dos Srs. Giuseppe Rossi, Antonio Bitto, Giuseppe Piovesan e Virgilio Pasqualotto. Estes e suas famílias aguardam os lotes abrigados precariamente. "A Figueira", símbolo deste Núcleo Colonial, árvore que existiu na região central da Colônia, tornou-se lendária ao cumprir, nos primeiros tempos, a função de "alojamento" dos imigrantes. Segundo depoimentos, as famílias permaneciam sob a figueira protegidas por panos, lençóis e barracas, enquanto esperavam a liberação de seus lotes, ou a construção do "barracão" projetado. Citada em versos, livros, história e estórias, "a Figueira" permanece na memória da cidade, remetendo aos primeiros tempos dos imigrantes, ao seu contato com as terras novas, depois de uma viagem dura, carregada de emoções e de fatos dramáticos. Os primeiros a solicitarem lotes no ano de 1888, foram: BATISTEL Bortolo , CECCATO Marco, CECCATO Domenico, BALSA Benevenuto, DONOLA Santi, BONTEMPO Luigi, CECCATO Nicola, GENESINI Cristiano, GUERRA Giuseppe, SEGALA Daniele, MANTOVANI Angelo, NALINI Giovanni Batista, REBELATI Giovani, GUARNIERI Abondio, ROSSIGNOL Isaía, DONATO Angelo, GASPARINI Luigi, PAROLA Antonio, GOSO Marco, PASSARIN Martino, BISTAFA Michelangelo, DE CARLI Cesar, BASONI Giovani, CECCATO Michele, ROBINI Mariano, DONENICO Argo, BOCAN Carlo, MELATTI Cesar, MENATO Romano, PASSARINI Antonio, VENZEGNAZI Pietro, ROSSI Angelo, RIGGHI Jean Batista, BERTOLLINI Ferdinando, BENATTI Hectore, EMILE Lhoste, CHIAVEGATO Giuseppe, JOBERJIAN François, GIANGROSSI Santi, PAVARATO Antonio, NASCINBENE Angelo, PRADELLA Antonio, NALINI Belamino, DEMARCHI Francesco, MASINI Antonio, MURARI Erminio, BERTON Francesco, SCHIAVI Luigi, CECHIN Marco, SCALI Pasquale, UNGARO Francesco, ZAMBON Glosue, VACCARI Jachintho, BETTAGNO J Guerino, CARPI Amadeo, FRANCCAROLI Gaetano, GUARISI Buono, ROGO GUARISI M Ondio, TESSARI Giovanni Baptista, CHIARAMONTE Angelo, COSIN Antonio, CROARO Santo, NALINI Giovanni, PILLON Angelo, COSIN Giovanni, ZANDONA Antonio, ZANANZINI Giovanni, MARZARO Luigi e MAZZALIRA Giovanni. Todos os lotes rurais esgotaram no ano de 1889, e em 1894 o Núcleo foi oficialmente emancipado. Estudando os ofícios de pedidos de lotes, títulos provisórios e títulos definitivos, verifica-se a forma como se processava a aquisição de lotes. Os ofícios eram dirigidos ao Presidente da Província e levavam o parecer dos Inspetores de Terra e Encarregados do Núcleo. O suplicante assinava o ofício e o deferimento era obtido desde que atendidas as exigências do contrato de "Designação de Lotes de Terras". Entre essas exigências constava a obrigatoriedade de que os solicitantes dos lotes fossem lavradores e casados.
Figueira. Símbolo deste Núcleo.
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