HOME ~ QUEM SOMOS

Home » Vita Mia » Cem anos de Imigração » Mobiliário e Objetos do Cotidiano

VITA MIA
Mobiliário e Objetos do Cotidiano

A relação entre a necessidade dos objetos e as funções que as pessoas desempenhavam para viver, pelo menos no início, é levada às últimas consequências. As atividades diárias de sobrevivência, trabalho e descanso, resultam na criação de objetos extremamente adequados. O trabalho artesanal utiliza técnica simples, mas as idéias são absolutamente antigas e universais. Por exemplo, a cama. As primeiras camas são descritas unanimemente como sendo de um único tipo: formadas por dois cavaletes, que recebem um estrado, sobre o qual colocavam o colchão de palhas selecionadas das colheitas de milho. No entanto, tão logo fosse possível, as camas eram trocadas por outras mais elaboradas, com guardas e pés, com torneados e colunas, executadas por marceneiros oficiais.

A cadeira de pau, segundo o Sr. José Orlandi, era feita de "quatro paus, travessas encaixadas - duas no encosto, quatro nos assentos, outras nos pés". A madeira é arredondada, o acabamento dado por enxós e o assento com a trama das tábuas dos brejos. Essa é a mais popular e resistentes das cadeiras. Resistente não apenas pelo fato de ser bem construída, mas porque permaneceu nas casas até pelo menos 1980, resistindo, inclusive, à introdução das famosas cadeiras de Jundiaí, do Pelliciari, ou às feitas por De Marchi.

No rol do mobiliário que fazia funcionar a casa também encontramos cabides de madeira para as roupas e prateleiras para utensílios de cozinha. A canastra, ou canastro, caixão grande com tampa, articulável e plana, diferente do baú, que é menor e com tampa abaulada, ambos procedentes da Itália, servia para transportar as roupas da família durante a viagem e para guardá-las em casa. Os caixotes de madeira usados na viagem se transformavam em bancos.

Outro móvel necessário e frequente nas casas era a cômoda, ou "cassa-banco" que, assim como o guarda-roupas, era comprado dos marceneiros da cidade. Para as refeições, utilizava-se mesas enormes, de pés torneados.

Tinas e barris cortados ao meio eram usados para guardar água, lavar louça ou para o banho. Este ocorria no quarto, em "mastella" (tina) substituída, mais tarde, por bacia de folhas de flandres.

Objetos menores e muito necessário, os lampiões e lamparinas frequentemente eram feitos de latas reutilizadas, em folhas de flandres, ou comprados já industrializados; o relógio, objeto precioso, frequentemente era guardado da mesma forma que os santos, em nichos, em caixas de folhas de flandres e vidro ou de madeira e vidro, semelhantes a oratórios. Isso ocorria para mantê-lo sempre em funcionamento, pois não havia rádio ou outro meio imediato de ajuste de horário.

Nas prateleiras da cozinha eram guardadas "as pinhatas" (panelas) de barro e de ferro, cuias de madeira dos caboclos, potes de cerâmica para o sal, pratos de ágata, copos, potes e litros, como os provenientes das cerâmicas Galavotti e de Luis Barbaro. Os pratos de ágata foram depois substituídos por louça mais fina.

Também ficavam na cozinha o guarda-louça, que era comprado dos marceneiros oficiais numa etapa posterior. Nele eram guardadas as tigelas de louça, as tigelas de café, a "scodela della minestra" (tigela para sopa). Entre os objetos da cozinha a "fornella" talvez seja o mais curioso e eficiente. Anterior à construção do fogão, era uma corrente de ferro batido com um gancho em uma extremidade, para ser pendurada nas vigas de cobertura, e outros dois ganchos na outra extremidade, para pendurar o tacho e ajustar a altura em relação ao fogo. O objeto era guardado pelas famílias e até 1980 ainda existiam em quase todas as casas visitadas.

Porém, era a polenta que exigia utensílios de bom desenho. As tábuas, "tagliero" ou "taiero" eram em formato redondo ou quadrado, com cabo ou sem, de tamanhos diversos em função da quantidade a ser servida. Também havia a "gradella" para assar a polenta no fogo - uma grade de ferro batido, com cabo. Os tachos, de diversos tamanhos, chamados "cagliera" ou "ramina" e, para mexer muito a polenta, compridas colheres de madeira, a "mescola" ou a "mensola". Os tachos eram pendurados na "fornella" ou eram ajustados, depois de construído o fogão de tijolos, à sua boca.


Ferramentas
Coleção: Esmeraldo Murari, Laurindo Pincinato, Maria Zomignani e Eduardo C. Pereira



1 e 2 (Trançador) - 3 (Plaina) - 4 (Gulherme para abrir canal) - 5 (Enxó) - 6 (Graminhos) - 7 (Arco de pua com catraca) - 8 (Compasso) - 9 (Ferro de pua) - 10 (Trado) - 11 e 12 (Goivote para rebaixo) - 13 (Garlopa)



14 (Curta-mão) - 15 (Talhadeira) - 16 (Marreta) - 17 (Martelo) - 18 e 19 (Martelos para picadeira) - 20 (Prumo)



21 (Serra de mão) - 22 (Formão) - 23 (Rosqueadeira para parafusos de madeira) - 24 (Atravessadeira) - 25 (Serrote de ponta para curva) - 26 (Cercea) - 27 (Prumo e nível) - 28 (Colher de pedreiro) - 29 (Desempenadeira ou talocha) - 30 (Cercea) - 31 (Molde para moldura com pequeno balanço) - 32 (Chapa de zinco para molde de cimalha)



 
 DESTAQUES
GENEALOGIA
Encontre pessoas de mesmo sobrenome.
19ª FESTA ITALIANA DI JUNDIAÍ
Conheça a Festa Italiana di Jundiaí!
  Copyright © ECCO! Todos os direitos reservados.