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Home » Vita Mia » Cem anos de Imigração » A Casa: O Homem e o Meio
As casas se identificam nos processos e técnicas construtivas, nos materiais empregados, nas características de composição e decoração de fachadas. Contribuíram para isso os pedreiros que traziam o ofício da Itália, e aplicavam aqui as técnicas transmitidas ao longo das gerações e que pertencem à história das habitações populares. Eram auxiliados pelas famílias que decidiam os espaços da casa e repetiam os hábitos de sua origem. Esse conjunto de construções aderia perfeitamente à paisagem, especialmente se lembrarmos que as construções e os materiais eram provenientes da própria terra, e até mesmo a cor das casas sem revestimento era a mesma da terra e da estrada. Nas casas revestidas frequentemente era acrescentado à cal da pintura o "pissarrão", terra proveniente de barrancos de estrada que acrescenta um tom claro de terra ao branco da cal. As janelas e as portas recebiam tinta verde. A implantação das casas ocorre sempre em assentos naturais dos terrenos, e faz construções agregadas, utilizadas para o trabalho, quando em desníveis, acompanham naturalmente o relevo do terreno. As plantas das casas foram determinadas pela necessidade das famílias. O tamanho da família determinava o número de cômodos da casa, a amplitude do paiol (maior a família, maior a produção) e até mesmo o tamanho das tábuas de polenta. O que podemos constatar é a liberdade na articulação dessas casas, decorrente das necessidades funcionais de trabalho e conforto. As modificações subsequentes são resultado de casamentos, nascimentos, e dos elementos necessários ao trabalho : depósitos (alimentos, ferramentas, etc), cantinas, paióis, fornos de pão e aumentos e acréscimos de cozinhas. Luigi Cosenza, em "Stória Dell´Abitazione", demonstra que a história das habitações populares, em continuo desenvolvimento, em função da melhoria das condições de vida do homem, apenas pode ocorrer em condições de liberdade. Ocorre a involução da habitação quando o homem vive sob exploração do seu trabalho; exemplos disso são os falanstérios e as senzalas. Em condições de liberdade, as tradições construtivas populares se desenvolvem e expressam as aspirações do homem na conquista de seus ideais. As diferenças nas articulações das casas caracterizaram a liberdade do homem na definição do seu espaço, em função de suas necessidades. Relação esta cada vez mais rara nas aspirações do homem em nossos dias. O conjunto de casas analisado expressou a produção de uma população mais livre, com evidentes ligações com a terra, com o clima, e com as tradições construtivas.
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