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Jundiaí, Antes e Depois das Ferrovias

Pretende-se traçar, em breves linhas, o panorama geral de Jundiaí, no final do século passado, época em que a cidade se encontrava em situação decadente. Por volta de 1860, a vila era pobre, quase esquecida. Seu aspecto geral era triste e sem edificios ou prédios dignos de nota.

Antes de 1860 (no final do século XVIII à primeira metade do século XIX ), Jundiaí chegou a desenvolver um grande centro de preparação e equipamentos de tropas de animais. Diz o viajante J.J.Von Tschudi que Jundiaí "fora uma vila importante e rica, quando nas fazendas dos arredores se plantava muita cana-de-açucar. Seus habitantes entretinham um animado comércio de mulas, que compravam ainda selvagens em Sorocaba e as domavam para depois revendê-las, como bestas de carga ou animais de sela . Este comércio proporcionava-lhes bons lucros e além disto fabricavam ótimas selas e arreios".

Em 1860, "as terras se achavam depauperadas, o comércio de muares diminuiu sensivelmente e a indústria de selaria se extinguiu . . . , a localidade perdeu todo o brilho dos tempos passados". Metade das casas da vila não eram habitadas, seus donos as visitavam apenas aos domingos, quando vinham de seus sítios à vila, para assistir a missa. O viajante previu ainda que Jundiaí retomaria certa importância, quando fosse servida pela estrada de ferro. Nessa época, a São Paulo Railway Company já estava projetada. Os primeiros trabalhos iniciaram-se em 15 de maio de 1860 e se completaram em 1867.

Em 1870, Manual Eufrásio de Azevedo Marques descreveu Jundiaí como sendo um povoado ainda muito simples, situado a Noroeste da Capital, "sobre uma extensa e aprazível colina", Tinha uma população de 7805 habitantes, voltados mais para a agricultura . Plantavam-se pricipalmente o café, a cana, os cereias e o algodão de boa qualidade, "sendo este último de reconhecida superioridade aos de muitos lugares da Província."

Nesta época , Jundiaí já era "ponta de trilhos", quando sediava a última estação da estrada de ferro de Santos . O prolongamento da linha férrea verificou-se em 1872, com a inauguração do trecho inicial da estrada de ferro da Companhia Paulista, trazendo para cá as suas oficinas. Além disso, consolidava-se um importante centro ferroviário, com a inauguração da ferrovia Ituana, 1873.

Jundiaí conheceu ainda um desenvolvimento no setor da indústria. A origem do primeiro estabelecimento industrial têxtil importante da cidade data de 1874.Trata-se da Industria Jundiahyana ". Era considerada como um dos grandes estabelecimentos têxteis da Província, que se tornou, depois, a Companhia Fiação e Tecidos São Bento, hoje LAFIT- Indústria e Comércio Ltda.

A partir daí, outros empreendimentos industriais foram surgindo, no final do século XIX e, principalmente, no inicio do, século XX.

Foi assim que Jundiaí conheceu uma retomada de desenvolvimento, possibilitada pelo aparecimento da ferrovia, assim como, na década de 1880, beneficiara-se ainda de um avanço no setor da cafeicultura.

A cultura da vinha já se desenvolvia nesta época e o município contava com algumas propriedades agrícolas dedicadas exclusivamente a este gênero de lavoura.

Dentro deste contexto geral, no final da década de 1880, foi criado em Jundiaí, de cunho oficial, O Núcleo Colonial Barão de Jundiaí, que passou a funcionar a partir de 1887.

Como será mostrado, este Núcleo irá relacionar-se estreitamente com a cidade, sobretudo através de sua economia, seja no setor da agricultura comercial, seja no comércio ambulante, ou ainda na disponibilidade de mão de obra, nele existente, carreada para as indústrias ou ferrovias.



 
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