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Home » Vita Mia » Cem anos de Imigração » Os Imigrantes Vão à Luta de 1887 ao Final do Século XIX
A vida do imigrante italiano que se fixou no Núcleo de Jundiaí foi difícil. A maioria deles veio da Itália com passagens subsidiadas pelo governo brasileiro e trazia, além da roupa do corpo, os seus parcos bens. Poucos foram os que chegaram ao Núcleo de Jundiaí com recursos próprios. Foi o caso, entre outros, de Elia Rappa e de seu irmão Sperandio, provenientes de Lucca, Itália. A princípio, abriram um armazém no centro da cidade de Jundiaí (onde se localiza, hoje a Casa Oliveira Presentes). Em 1890, compraram do governo dois lotes de terra na área urbana do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí e lá montaram um novo armazém (no lote 65). Por uns tempos, Sperandio encabeçou o empreendimento da Colonia, enquanto Elia permaneceu na cidade, à rua Barão de Jundiaí. Casou-se Sperandio com Adele Fava. (A família Fava veio da Itália e dirigiu-se para o Núcleo Barão de Jundiaí). O casal teve sete filhos, entre eles o Sr. Arcangelo, que nasceu na Colônia. Posteriormente, Elia acabou regressando para a Itália. Sperandio permaneceu no Brasil e passou a viver na cidade. Assumiu as responsabilidades do armazém da rua Barão, expandindo os negócios. Por volta de 1905, voltou para a Itália em função da morte de seu irmão Elia, para cuidar dos sobrinhos. Lá permaneceu com sua família durante alguns anos, deixando os negócios, em Jundiaí, aos cuidados de Aleardo Borin, que se associara à empresa Rappa & Compania. Posteriormente, Sperandio e família regressaram em definitivo para o Brasil. Já a família Benacchio, que também veio para o Brasil com seus próprios recursos, foi para o Núcleo Barão de Jundiaí e lá permaneceu. Na área urbana do Núcleo, abriram um armazém, onde chegaram a vender tecidos, armarinhos, roupas, calçados, ferragens, máquinas de costura e chapéus de sol. Apesar de todas as dificuldades e com falta de dinheiro, os imigrantes conseguiram, às custas do trabalho em família, realizar benfeitorias nas terras próprias, plantando, colhendo e obtendo bons resultados. Depois de três anos de implantação do Núcleo Barão de Jundiaí, é significativo o que nos diz o jornal "Cidade de Jundiahy", de 12 de outubro de 1890: "É fora de dúvida que um dos principais focos d'onde emana notável progresso para este municipio, é o núcleo colonial Barão de Jundiahy. . . A cultura da uva tem alli merecido especial attenção dos colonos, e a safra deste ano promete ser abundantíssima, o que certamente se repetirá nos anos subsequentes, em vista do alargamento das plantações. O plantio de cereaes é da mesma maneira trabalhado com meticuloso zelo, esperando-se enorme colheita para o próximo anno". Nota-se o destaque que o noticiário deu à uva , em 1890, com expectativas favoráveis a este gênero de produto agrícola , em vista da expansão das plantações, já verificada nesta época. Em apenas três anos de existência O Núcleo de Jundiaí, os colonos italianos já mostravam os resultados de seu esforço e trabalhos constantes. Trata-se de uma época em que a família se organizou em função do trabalho na terra, predominando uma agricultura de subsistência. Enquanto um ou mais de seus membros tinham que trabalhar fora os outros permaneciam no sítio, cultivando a própria terra e cuidando dos animais. Estruturaram neste curto período a vida do trabalho em família. Os depoimentos de antigos moradores do bairro da Colônia nos transportam ao passado desses imigrantes pioneiros e de seus descendentes e ajudam a resgatar a história do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí. Entre eles, destacava-se a familía de Luigi Chiaramonte, que chegou ao Brasil por volta de 1892. Quatro anos depois de seu irmão Angelo. A principio, junto de sua família, residiu, por um certo tempo, no lote rural 35, designado em 1888 a seu irmão, que também vivia com sua família. Depois morou "numa casa de Benjamim Nalini ", antes de comprar o seu próprio sítio, na Colônia. Eis o depoimento de D. Maria Chiaramonte Bianchini, neta de Luigi Chiaramonte: "A família resolveu vir para cá. Depois, os imigrantes que vieram junto fizeram o mesmo sacrifício que eles faziam. Aqui o meu pai trabalhou com o engenheiro para dividir as terras naquela época . . .Fizeram (os imigrantes) um esforço, compraram uma "colônia" (um lote) que era de quatro alqueires. Era tudo sítio! Meu avô comprou de segunda mão aqui. Naquela época, pagaram dois contos de réis. . . Eles trabalhavam muito. Depois, porque a vida era díficil e, para pagar dois contos. . . , então meu pai, com um compadre, precisou sair daqui para trabalhar numa fazenda perto de Campinas, na fazenda Santa Gertrudes. Saiam daqui às segundas-feiras! Coitada da minha avó, fazia pão para eles passar a semana. O Meu pai ficava fora a semana toda. . . levava comida e fazia comida lá. Iam ele e outros companheiros da Colônia mesmo! Em Campinas, trabalhavam em tudo . . . O meu pai ia trabalhar fora pra poder pagar o terreno. Depois, ele trabalhou com a carroça na praça, em Jundiaí mesmo. . . Eles sofreram! Mas devagarinho, trabalhando, venceram!. . . Depois que melhorou um pouco a situação, daí, então eles começaram a plantar uvas, compraram vacas. . . vendiam um pouco de leite (para leiteiros) e vai indo . . o tomate plantavam bastante. . . ." O exemplo da familía Chiaramonte serve para ilustrar situações comuns, vividas pelos imigrantes que se fixaram no Núcleo de Jundiaí. É claro que cada familía teve a sua própria história, sempre marcada por um constante e incansável espírito de luta. Mesmo as famílias que antes viveram e trabalharam muito em fazendas de café, quando chegaram na Colônia para ficar definitivamnte, continuaram lutando sem cessar. Houve os que, no início, trabalharam fora também. Foi o caso de Luís Balestrin, como mostra o seu filho Agostinho: "O meu pai, na Colônia, logo no começo, trabalhava numa fazenda da baroneza, na Fazenda Conceição agora fala! Ia trabalhar de empregado pra fazer cerca pro pasto, ele com um outro. . . Ele chamava Stringuetto. Trabalhou bastante nesta fazenda. Esta fazenda fica perto de Itatiba. Ia a pé. Levava polenta pra comer, linguiça e pão feito em casa. . ." E o Sr. Agostinho compara aquela época aos tempos de hoje: "Que vida fazia um tempo! Agora, não tem comida que serve!. . ." Assim como o pai de D. Maria Chiaramonte ou o pai do Sr. Agostinho Balestrin, por necessidade de dinheiro, muitos outros antigos moradores do Núcleo Colonial, iam em busca do trabalho fora até que fosse possível melhorar a situação da família. Houve os que chegaram a trabalhar em olarias, até mesmo na Várzea, como foi o caso do pai e do tio do Sr. Orlando Bagni, no intuito de conseguir algum pecúlio e construir a própria casa. Outros trabalharam em cafezais, nas proximidades da Colônia (como, por exemplo, em Ponte Alta, o Sr. Michele Ceccato). Nas horas vagas, cultivava a própria terra, junto da família, garantindo a subsistência.
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