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VITA MIA
A Fase Agro-Industrial

A partir de 1.907, com as proteções alfandegárias, e as dificuldades oriundas do saldo da balança comercial, que geraram o acordo com a comunidade financeira internacional, suspendendo o pagamento do serviço das dívidas, a necessidade de suprir o mercado interno com similares nacionais, tornou-se mais aguda.

A semente do movimento de industrialização foi lançada formalmente em 1.882, ainda no final do II Império, quando o médico mineiro, Antônio Felício dos Santos, foi incumbido de redigir um Manifesto comemorativo da organização da Associação Industrial, por meio do qual colocou com realismo a falsa posição daqueles que, por interesses pessoais ou de grupos, pregavam a permanência do país como essencialmente agrícola (54).

O pensamento econômico nacionalista das primeiras décadas republicanas, agora mais doutrinário, nasceu de Amaro Cavalcanti, um entusiasmado industrialista, que influiu na política econômica do início da república, até l920, pelos cargos legislativos e executivos que ocupou (55).

Cavalcanti, reputava imprescindível para a independência econômica, a constituição de uma fonte de riqueza estável, capaz de suprir o consumo interno de produtos essenciais ao bem estar da população e, até mesmo, propiciar divisas que permitissem a importação, principalmente de bens de capital, para investimentos industriais.

Das idéias assim defendidas, firmou-se a política industrialista com o protecionismo alfandegário, a abolição de impostos interestaduais, a redução de fretes em função da melhoria nos meios de transporte, vitórias alcançadas pelos também industrialistas Alcindo Guanabara, Barata Ribeiro, Ozório de Almeida, Lauro Muller e outros (56).

O nacionalismo que então se enraizava doutrinariamente, não fundava seus argumentos de defesa dos interesses nacionais apenas na industrialização. Nestes inseriam-se aqueles regionais de certos Estados como Minas e Rio, onde o café decadente, clamava pelo urgente desenvolvimento da policultura, com o mesmo protecionismo que emulara o desenvolvimento industrial. Defendia essa posição Serzedelo Corrêa, militar republicano que, como cidadão civil, foi deputado e ministro por diversas vezes quando, por suas obras e discursos, denunciava com realismo, a fragilidade de nossa economia, de cuja situação de dependência pretendia emancipar o Brasil com idéias de protecionismo generalizadas, pugnando por reformas tarifárias (57).

Foi nessa época, 1.874, baseada na intensiva cultura algodoeira, que se instalou em Jundiaí o primeiro estabelecimento industrial importante: a "Companhia Jundiahyana de Tecidos e Cultura", cuja conclusão dos prédios na fase de ampliação teve por empreiteiro e Mestre de Obras Giuseppe Antonio Campanaro ( * Padova - Venezia Eugania - imigrou em 1.884 juntamente com as máquinas a instalar), indústria têxtil que mais tarde transformou-se na Cia. Fiação e Tecidos São Bento, hoje Lafit Indústria e Comércio Ltda, segundo relato feito pelo ex-gerente Diogenes Soares e Silva.

Seguiram-se as instalações de pequenas oficinas e indústrias familiares, muitas das quais ampliadas daquelas em atividade em função do "Porto Seco", que a economia da cidade ainda supria, entremeadas por investimentos de maior porte como a "Oficina Arens" (1.892), bem como a "Ferraria Agrícola", posteriormente "Cia. Mecânica e Importadora de São Paulo", hoje SIFCO do Brasil S.A., - forjaria pesada. Assim também fundou-se a "Gran Frábrica de Cadeiras, Tornearia e Marcenaria Sperandio Pellicciari", todas elas trazendo na sua idealização e implantação, conhecimentos e mesmo capitais aquí amealhados, pelos elementos oriundos da imigração italiana, como detalharemos adiante.

A industrialização ocorrida antes da Primeira Guerra Mundial, estimulada pelos fatores supra-citados, encontrou facilidade de mão-de-obra na região de Jundiaí, porque houve nessa época desemprego intermitente nas fazendas devido às crises do café, cujas consequências alcançavam muito maior intensidade nas terras mais pobres ou cansadas, nas culturas antigas; onde a emancipação dos colonos imigrados, sua urbanização com atividades artezanais e industriais, aumentando a demanda energética requerendo a instalação de hidroelétricas, que aí também se instalaram e fomentando o aperfeiçoamento dos meios de transporte dos quais estava Jundiaí sobejamente bem servida.

Assim é que, nas duas primeiras décadas deste século instalaram-se as cerâmicas São José, Santa Josefina, fiações, cotonifícios e tecelagens Trevisolli & Borin (hoje Argos), São Jorge, Rappa & Milani, Glória, e outras como a Fábrica de Cadeiras Sperandio Pellicciari , as Indústrias Gordinho Braune (papel e celulose), Cia. Mechanica e Importadora de São Paulo, Distillerie Elequeiroz (álcool e produtos químicos) e dezenas de pequenas manufaturas.

"De l.906 até o princípio da Primeira Guerra Mundial, os plantadores tiveram lucros excelentes mas relutaram em formar novas fazendas e viram-se impedidos de fazê-lo por leis estaduais, que procuravam limitar a oferta. Havia, em l.9l5, apenas mais 47.000 cafeeiros do que em l.905. Parece que grande parte do lucro dos fazendeiros durante esses anos se transferiram para outras espécies de empresas, particularmente industriais" (58).

Segundo Warren Dean (59), os primeiros fazendeiros industriais, exerceram cargos políticos, destacando-se em Jundiaí, Eloy de Miranda Chaves (Fazenda Ermida), Deputado Federal, protegido de Rodrigues Alves, fundador da Empresa Luz e Fôrça de Jundiahy Ltda. (1.903), dono de uma fábrica de tecidos em sociedade com Olavo de Queiroz Guimarães, neto do Barão do Japy. Igualmente, Antonio de Lacerda Franco, Senador Federal, latifundiário em Itatiba, banqueiro (Banco União - 1.890) e industrial em Sorocaba, fundou em Jundiaí a Tecelagem Japy, a Companhia Telefônica e foi diretor da Companhia Paulista de Estrada de Ferro.

O nível de renda interno, elevava-se de forma contínua, criando uma pressão de procura nesse mercado, tornando factível a transferência de capitais das empresas agrárias, para as industriais, em especial as fiações e tecelagens de algodão cuja maquinaria de médio custo permitiam facilmente a ampliação, fundando-se a reprodução do capital, de modo geral, sobre a exploração da mão-de-obra, bem como, aproveitando a cultura de algodão que se estabelecera alternativamente em toda a região, com o abandono paulatino das culturas do café improdutivas por ancianedade (60).

Na sua maioria, os fazendeiros eram pessoas urbanizadas e, sofrendo pressões econômico-sociais sobre seus próprios interesses, foram obrigados "a diferenciar seus papéis econômicos e a intervir organizadamente nos diversos desdobramentos financeiros, comerciais e políticos dos negócios do café" (61).

Essa industrialização foi menos incipiente nas regiões onde se concentravam imigrantes europeus como em Jundiaí, onde havia grande predominância de italianos. Estes apoiando-se em um comportamento típico de assalariados sem relação patrimonialista, implantando novas técnicas e atividades, numa atitude social distinta, fundada em mentalidade econômica mais experiente perante o sistema capitalista de produção, desenvolveram-na francamente.

Nota-se essa influência pela evolução cultural que ocorreu no período, fomentada em grande parte pela elevação do padrão de vida, como também pela assimilação das idéias liberais e forma comunitária de vida que os italianos e seus descendentes introduziram na sociedade que se modificava a olhos vistos.

Contava Jundiaí com líderes cultos como o Barão do Japy (Joaquim Benedito de Queiroz Telles - * Jundiaí - 1.819), professor e latinista que muito incentivou o jovem José Feliciano de Oliveira, poeta, filósofo e professor ( * Jundiaí - 1.868), a fundar em uma pequena sala à R. Cel Leme da Fonseca em 1.882 a primeira Associação de Letras, posteriormente transferida para a R. do Rosário, onde um grupo de funcionários da Cia. Paulista de Estrada de Ferro, dentre os quais Conrado Augusto Offa, José da Costa Wilk e outros, ampliaram suas atividades, o que levou à sua transferência para a Rua Barão de Jundiaí.

Em 7 de setembro de 1.922 essa entidade, por iniciativa do então Prefeito Olavo Queiroz Guimarães e seu cunhado, meu bisavô, Osmundo dos Santos Pellegrini, ( * Campinas, 1.878, filho de Ignácio Pellegrini - (* Lucca - Toscana - 1.848 - imigrado em 1.870), Secretário da Câmara Municipal de Jundiaí, eleito em 1.910; teve lançada sua pedra fundamental passando a denominar-se Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, centro de difusão cultural do qual a cidade até hoje se orgulha, conforme nos relatou Geraldo Barbosa Tomanik.(*)

Jundiaí, que possuia apenas um Colégio, o do Padre Sena Freitas, fundado em meados de l.870, recebeu de Campinas em 1.892, em virtude da epidemia de febre amarela que lá grassara, o Collégio Florence; localizado em um belo prédio, há muito demolido, onde hoje está a Agência Regional do INPS, na Rua Barão de Jundiaí e, em seguida, o Gimnásio Hydecroft fundado em 1.907, sediado no final da Rua do Rosário ao lado da antiga Igreja do mesmo nome demolida em 1.926 pelo então Prefeito Dr. Olavo Queiroz Guimarães; em prédio que hoje integra o antigo Quartel da 2a. Cia. de Comunicações do Exército, conforme depoimento de meu avô, João Franco Bueno, que frequentou aquele ginásio em 1.912. O Collégio Florence encerrou suas atividades em 1.928 e o Hydecroft em 1.917.

Da mesma forma, fundava-se em 1.910 o Collégio Santo Antonio, instalado no prédio antigo da Prefeitura à Rua Barão de Jundiaí, ao lado da A Paulicéa, tradicional confeitaria, ocupando também o prédio vizinho na esquina da Rua da Padroeira, onde hoje está o Banco do Estado de São Paulo e ainda outro prédio no lado oposto da mesma esquina onde, posteriormente, localizou-se a Primeira Escola Normal Livre de Jundiaí que sucedeu ao Colégio Florence, como nos relatou Geraldo Barbosa Tomanik.

São ainda dessa época o Collégio Cristovam Colombo, depois Ginásio José Bonifácio e a Escola Alemã, o primeiro fundado por Giaccomo Itria (* Paola - Província de Cosenza - Calábria - 1.873 - Engenheiro Agrônomo, imigrado em 1.898), mestre italiano de saudosa memória, que ensinou com denodada austeridade e dedicação muitos dos "oriundi", cujos pais se preocupavam com sua melhor educação. Fundada em 1.912, a "escolinha do Itria", localizava-se na esquina da Rua Prudente de Morais com a Rua Cel. Siqueira de Morais, onde hoje está o Lar Anália Franco, conforme testemunho de minha avó, sua ex-aluna, Anna Marchi Canterucci (filha de Alfredo Marchi * Ferrara - Emília - 1.877 - imigrou em 1.890 e Maria Andermark Marchi * Trento - Trentino - 1.881 - imigrou em 1.893). Transformado em Ginásio, recebeu o nome de José Bonifácio, quando foi transferido para um casarão na esquina da Av. Dr. Cavalcanti com R. Dr. Torres Neves e alí ficou até 1.937 quando Itria faleceu. A segunda, criada em 1.914, estava localizada na Rua Capitão Damásio, atual R. Mal. Deodoro da Fonseca onde hoje está o Edifício Marechal. Encerrou suas atividades em 1.929, segundo nos transmitiu Geraldo Barbosa Tomanik.

Completavam essa notável pleiade de escolas particulares, duas escolas públicas, o Grupo Escolar Cel. Siqueira de Moraes, construído em 1.896 e o Grupo Escolar Conde de Parnaíba em 1.906, ambos edificados pela Superintendência de Obras Públicas, hoje D.O.P. - Departamento de Edifícios e Obras Públicas do Estado, de acordo com informes de meu pai, Roberto Franco Bueno, Diretor Regional em Campinas, deste órgão público.

Relatou-me ainda ele, que foi a antiga Superintendência de Obras Públicas, então, 2a. Secção da Secretaria dos Negócios de Agricultura, Indústria e Commércio, que elaborou o projeto de divisão e distribuiu as glebas do Núcleo Colonial Barão de Jundiahy, onde o Conde de Parnahyba instalou os primeiros imigrantes, oriundos da Hospedaria dos Imigrantes, localizada na Rua Visconde de Parnaíba, no Bairro do Brás em São Paulo; esta também construída por aquela Superintendência, em 1.872.

É notório que, somente uma cidade que possuísse uma população com padrão de vida em ascensão, poderia dispor de uma rêde escolar privada tão grande e, por outro lado, tal disponibilidade educacional, atraiu para a cidade, filhos de fazendeiros, comerciantes e industriais dos quais alguns, acabaram por se fixar na cidade ou na região, com evidentes reflexos sócio-econômicos.

Tal nível sócio-cultural e econômico, atraiu também imigrantes liberais como Dr. Domingos Anastácio (* Paola - Província de Cosenza - Calábria - 1.875), médico pela Universidade de Roma, imigrado em 1.904, somente fixou-se em Jundiaí em 1.909 e cuja atuação junto à população em geral, até aos mais humildes, foi marcante, sendo ainda hoje venerado como cidadão e como homem de princípios caridosos e humanitários.

Foi ele um dos fundadores da Fratellanza Italiana, conforme meu avô Diogenes Canterucci (filho de um outro fundador Giuseppe Canterucci - * Diamante - Província de Cosenza - Calábria - 1.873 - imigrado em 1.885), hoje Casa de Saúde Dr. Domingos Anastácio, de cujo prédio foi confiada a construção ao Mestre de Obras Adriano Borgonovi ( * Mantova - Lombardia - 1.872 - imigrado em 1.890), que casou-se em 1.898 com Maria Caselatto (* Adria - Província de Rovigro - Vêneto), conforme relata Irino Borgonovi.

Dessa situação, decorreu também, importante expansão cultural, em que igualmente participaram os imigrantes, principalmente os italianos. De acordo com relatos de Geraldo Barbosa Tomanik, vicejavam em Jundiaí empreendimentos culturais como o Teatro Petit Bijou fundado em 1.897, que ocupava um prédio térreo na Rua do Rosário, atual No. 283, ao lado da Matriz, onde além de peças teatrais exibia-se a "lanterna mágica", cinema de figurinhas em movimento.

Miguel Giuntini (* Porcari, Província de Lucca - Toscana - 1.871), imigrado em 1.889, vindo pelo navio francês Proença, ainda de acordo com Irino Borgonovi, fundou, em 1.909, o Theatro São José na R. Barão de Jundiaí, ao lado da antiga sede da Light, em frente ao Largo do Rosário, atual Praça Ruy Barbosa, onde se apresentavam peças e óperas. Com o advento da energia elétrica, alí se exibiu em uma sala decorada em vermelho e dourado, em 1.912, o primeiro filme de cinema mudo, segundo depoimento de Plácido de Castro feito há alguns anos.

Tomanik ainda conta que, surgiram então, os Cine-Teatros, dentre os quais, o Pavilhão Polytheama, no início da Rua Barão de Jundiaí, de excepcional importância pelo seu desmesurado tamanho, 2.000 lugares, e pela sua imponente edificação resultante do trabalho de dois empreiteiros italianos: Antonio Mila ( * Lanciano - Província de Pescara - Abruzzo - 1.888 - imigrou em 1.902), Licenciado Construtor e Giuseppe Levada. Em alvenaria de tijolos, com elevado pé-direito, sem fôrro e coberto de zinco, nele se exibiam peças teatrais, ballets, espetáculos folclóricos, óperas, cinema e espetáculos circenses, utilizando-se as vigas do telhado para fixar os aparelhos acrobáticos.

Não pararam eles por aí. Estevam Campanaro ( * Padova - Venezia Eugania - 1.877 - imigrou em 1.884 com o pai), instalou, segundo o seu sobrinho-neto Nelson Campanaro, na Rua do Rosário, esquina do mesmo Largo do Rosário, em 1.912 o Theatro Rio Branco. Mais tarde, Cine-Teatro e, em 1.932, transformado no Rink Rosário de patinação. Igualmente, a família Almeida Salles, em 1.910, transformou uma oficina existente na Rua da Padroeira (vizinho à atual sede do Banco do Brasil) no Cine Rink, utilizado também como rink de patinação.

Além disso, havia muitas entidades esportivas como o Paulista Futebol Clube (1.909), recreativas como o Cassino Jundiaiense (1.896), sediado à Rua do Rosário ao lado da Fábrica de Macarrão e Torrefação de Niccola Orsi & Irmão, vizinho ao atual Banco Bandeirantes, o Clube Dois de Abril (1.897 - formado por pessoas negras - hoje 28 de Setembro), o Gremio Recreativo dos Empregados da Cia. Paulista (1.900), o C. R. S. João Batista (1.910) na Ponte de São João; musicais, como a Banda Paulista (1.909), conduzida pelo Maestro Bovolenta e mantida pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro; sociedades beneficientes como a Societá di Muttuo Soccorso Umberto I (1.889), a Societá Giuseppe Garibaldi (1.890), a Fratellanza Italiana (1.892), a Sociedade Carlos Gomes e outras, conforme extratos de entrevistas diversas. Em todas estas entidades, a participação do imigrado era constante.

Os imigrantes, por levarem uma vida menos exigente em relação aos brasileiros de nível social médio e alto, amealhavam alguma poupança originária dos trabalhos na lavoura dos latifúndios e, como nem sempre tinham possibilidade de investir a longo prazo e em grande escala, como exigia o latifúndio, urbanizavam-se e aplicavam esses capitais, primeiro em oficinas artesanais e depois associando-se, criando manufaturas que se tornaram, posteriormente, grandes indústrias. Somente conseguiam adquirir grandes glebas rurais em grupos, ou quando a sorte os favorecia, como veremos adiante.

Nas citadas entrevistas com descendentes dos imigrantes, constatamos que são originárias dessa época, indústrias como: em 1.899, a Grande Fábrica de Cadeiras Tornearia e Marcenaria Sperandio Pellicciari ( * San Felice - Província de Modena - Emília - 1.866 - imigrou em 1.885), que era movida por uma roda d'agua montada por ele no Rio Guapeva; em 1.893, a Fábrica de Cerveja de Augusto Mojola ( * Mori, Província de Trento - Trentino - 1.866 - imigrou em 1.892) na R. Moreira Cesar, esquina com Fernando Arens, como noticiou seu neto Edmundo Mojola; a Oficina Arens de Arens & Cia. (1.904), que deu o nome ao bairro, a Cie. Distillerie Elequeiroz (1.905), no Distrito de Várzea.

Nessa ocasião, Alexandre Siciliano, bem sucedido imigrante italiano radicado em São Paulo, adquiriu a Ferraria Agrícola por meio da sua Companhia Mechanica e Importadora de São Paulo, na Av. São Paulo antiga estrada da Várzea, bem como, iniciaram suas atividades, a Indústria Vinícola Irmãos Castiglioni (1.910) fundada pelos netos de Luigi Virgilio Castiglioni ( * Legnano - Província de Milão - Lombardia - 1.857 - imigrado em 1.888), na V. Arens, conforme nos informou seu neto Egidio Castiglioni; a Cerâmica São José de Raphael Gallavotti ( * Roma - 1.868) fabricante de potes e "pignatas" de terra-côta com seu filho Quinto, na Ponte de São João (1.910); o Cotonifício Glória na Ponte de São Jõao (1.910), posteriormente, Fiação e Tecelagem Glória (1.920) e Irmãos Azem Ltda. (1.926) ; a Fiação e Tecelagem Japy, fundada na Vila Arens por Lacerda Franco (1.911); a Trevisolli & Borin Ltda. na V. Arens - Av. Dr. Cavalcanti -tecelagem que em 1.913, foi transformada na Sociedade Industrial Jundiahyense (união de capitais de italianos e alemães aqui já radicados: Trevisolli, Borin e Diederichsen); a Cerâmica Santa Josefina (1.913); a Indústria de Papel e Celulose Gordinho Braune Ltda. (1.915).

Aleardo Borin, oriundo do Vêneto, após trabalhar algum tempo no armazém da família Rappa, assumiu em 1.905 a direção da firma em virtude da viagem de Sperandio Rappa à Europa para tratar de assuntos de família, em decorrência do falecimento de seu irmão Elia em 1.901. Dessa atividade e da ajuda da família Rappa, conseguiu emancipar-se financeiramente e associou-se com Trevisolli (filho de imigrantes que haviam se instalado em Itú), para fundar a Trevisolli & Borin.(62)

Encontramos um exemplo interessante que comprova a atitude dos imigrantes de, ao chegar, exercerem seus ofícios, para depois, utilizando-se dos amigos e parentes que haviam deixado na Itália, instalarem estabelecimentos atacadistas e de importação, fornecendo aos fazendeiros, tanto para as fazendas quanto para suas residências, com os quais passavam a relacionar-se socialmente, do que muitas vezes resultavam associações familiares ou de negócios, as quais acabavam por conduzí-los às atividades industriais.

É o caso de Sperandio Rappa ( * Porcari, Província de Lucca - Toscana - 1.863 - imigrou em 1.884), ficando dois anos em Santos, transferindo-se para Jundiaí como pedreiro em 1.886, vindo a executar, já como mestre de obras, sob a orientação de Ramos de Azevedo, a reforma da Matriz em 1.890, quando se reconstruíram suas torres. Trabalhou algum tempo com um irmão na tradicional Casa Rappa, abrindo posteriormente um armazém no Bairro da Colônia. Com o capital que amealhou, costituiu em 1.923, o Cotonifício Fides de Rappa & Milani Ltda., na Vila Arens, hoje Fiação e Tecelagem Fides, no Bairro do Moisés, conforme nos relatou Renato Rappa, seu neto. Comprovando mais uma vez a afirmação de que os fazendeiros se aliaram aos imigrantes em empreendimentos industriais, Olavo Queiroz Guimarães, fazendeiro, neto do Barão do Japy, foi um dos sócios fundadores da Fides, que além de Sperandio Rappa tinha Ugo Milani ( * Rossano - Província de Vicenza - imigrado em 1.895), como sócio.

Paralelamente, os imigrantes transformavam o lazer caseiro e a tradição que tinham do plantio da vinha e a feitura do vinho, em atividades econômicas cada dia mais importantes para o município. Segundo relato de minha avó, Maria do Carmo Guimarães Pellegrini, foi na Fazenda Burití, Distrito de Itupeva, em 1.901, que Giovanni Baptista e Lorenzo Pincinatto ( * Treviso - Vêneto), montaram a primeira fábrica de vinho em Jundiaí, com o incentivo e a participação de meu bisavô, Osmundo dos Santos Pellegrini.

Egidio Castiglioni nos afiançou também que dentre os primeiros donatários de lotes no Núcleo Colonial Barão de Jundiaí estavam Francesco Lorenzetti ( * Verona - Vêneto - 1.860 - imigrou em 1.888), Pasquale Scali ( * Isola della Scala - Província de Verona - Vêneto - 1.848 - imigrou em 1.895), segundo dados fornecidos por sua neta Ilda Scali Coser; Giuseppe Maran ( * Padova - Vêneto - 1.886 - imigrou em 1.900). Antonio Zandona Neto, transmitiu-nos preciosas informações a respeito de seu avô, Antonio Zandona ( * Treviso - Vêneto -1.848), imigrado em 1.875, indo morar no Bairro do Ipiranga em São Paulo, depois em São João do Sapucáia MG, chegando em Jundiaí em 1.877. Ferreiro, aquí também exerceu o ofício, fazendo ferramentas agrícolas, eixos e aros de carroças, aranhas etc., mais tarde construindo também estes veículos, com o filho Luigi, um dos seis que com ele vieram da Itália; em uma oficina à Estrada de São João do Atibaia, atual Av. São João.

Foi o introdutor do caldeamento do aro de roda sem rebites no Brasil e influiu na carreira dos filhos que, empregados na Cia. Paulista de Estradas de Ferro, lá exerceram com maestria tal mistér. Uma de suas filhas, Marietta, casou-se com Alexandre Rubinatto, irmão de José o nosso saudoso Adoniran Barbosa. O velho Antonio, era sobrinho de Giuseppe Garibaldi, tendo seu tio Paolo (médico) acompanhado aquele irriquieto italiano-farroupilho em suas andanças revolucionárias pelo Brasil. É uma das muitas lendas que se cultua na "Ponte de São João".

Vale a pena transcrever aquí parte da inestimável pesquisa feita por Elizabeth Filippini e inserida na obra "Cem anos de imigração italiana em Jundiaí", página 26:

- "Em 24 de setembro de 1.887 chegaram ao Núcleo 22 colonos italianos. Já no começo de outubro fizeram o pedido de lotes, conforme os ofícicos de no. 64 e 70 de 1o. de outubro de 1.887. Em novembro, eram 99 os habitants do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí .

O imigrante destinado ao Núcleo Colonial não passava pela Hospedagem do Imigrante na capital. Contava com passagem livre nas ferrovias e com abrigo no núcleo escolhido. Este abrigo passa a ser construído a partir de 28 de outubro de 1.887, conforme descrição minuciosa dos materiais e quantidades, presentes no orçamento feito pelo engenheiro Joaquim Rodrigues Antunes Filho.

O abrigo, conhecido como "Barracão", substituía a Hospedaria do Imigrante em São Paulo, e destinava-se a receber os recém-chegados, oferecendo abrigo, alimentação, assistência e orientação.

Nas entrevistas com os moradores mais velhos foram descritas características do cotidiano do alojamento: "O barracão, onde era o armazém Benacchio, tinha um caldeirão grande que cozinhava a sopa para todos".

Mas, antes disso, já havia colonos aguardando lotes: Sr. Giacomo Fiorotto pede o lote em 1o. de outubro de 1.887, e recebe a resposta de que será atendido "tão logo seja feita a demarcação". O mesmo acontece com as famílias dos Srs. Giuseppe Rossi, Antonio Bitto, Giuseppe Piovesan e Virgilio Pasqualotto. Estes e suas famílias aguardaram os lotes abrigados precariamente. " A Figueira ", símbolo deste Núcleo Colonial, árvore que existiu na região central da Colônia, tornou-se lendária ao cumprir, nos primeiros tempos, a função de "alojamento" dos imigrantes. Segundo depoimentos, as famílias permaneciam sob a figueira protegidas por panos, lençóis e barracas, enquanto esperavam a liberação de seus lotes, ou a construção do "barracão" projetado. Citada em versos, livros, história e estórias "a Figueira" permanece na memória da cidade, remetendo aos primeiros tempos dos imigrantes, ao seu contato com as terras novas, depois de uma vigem dura, carregada de emoções e de fatos dramáticos. De acordo com Eugenio Egas em sua obra Galeria dos Presidentes de São Paulo 1829-1889, os primeiros imigrantes a solicitarem lotes no ano de 1.888, foram: BATISTEL Bortolo, CECCATO Marco, CECCATO Domenico, BALSA Benevenuto, DONOLA Santi, BONTEMPO Luigi, CECCATO Nicola, GENESINI Crhistiano, GUERRA Giuseppe, SEGALA Daniele, MANTOVANI Angelo, NALINI Giovanni Baptista, REBELATI Giovanni , GUARNIERI Abondio, ROSSIGNOL Isaia, DONATO Angelo, GASPARINI Luigi, PAROLA Antonio, GOSO Marco, PASSARIN Martino, BISTAFA Michelangelo, DE CARLI Cesar, BASONI Giovanni, CECCATO Michele, ROBINI Mariano, DOMENICO Argo, BOCAN Carlo, MELATTI Cesar, MENATO Romano, PASSARINI Antonio, VENZEGNAZI Pietro, ROSSI Angelo, RIGGHI Jean Baptista, BERTOLINI Ferdinando, BENATTI Hectore, EMILE Lhoste, CHIAVEGATO Giuseppe, JOBERJIAN François, GIANGROSSI Santi, PAVARATO Antonio, NASCIMBENE Angelo, PRADELLA Antonio, NALINI Belamino, DEMARCHI Francesco, MASINI Antonio, MURARI Erminio, BERTON Francesco, SCHIAVI Luigi, CECHIN Marco, SCALI Pasquale, UNGARO Francesco, ZAMBON Glosue, VACCARI Jacintho, BETTAGNO J. Guerino, CARPI Amedeo, FRACCAROLI Gaetano, GUARISI Buono, ROGO GUARISI M. Ondio, TESSARI Giovanni Baptista, CHIARAMONTI Angelo, COSIN Antonio, CROARO Santo, NALINI Giovanni, PILLON Angelo, COSIN Giovanni, ZANDONA Antonio, ZANANZINI Giovanni, MARZARO Luigi e MAZZALIRA Giovanni.

Dirceu Carbonari, além de informações, forneceu-nos diversos recortes de antigas publicações reportando que seu bisavô Roberto Carbonari ( * Trento - Trentino - 1.840 - imigrado pelo vapor "Iniciativa" que partiu de Gênova em 1.883), fixou-se na Fazenda Sete Quedas em Campinas, juntamente com Antonio Lorenzon, Dommenico Tomasetto e Giuseppe Steck, ao todo um grupo de 40 familiares, todos do Tirol, com ele imigrados. Adquiriram em 1.893, com as economias de dez anos de duro trabalho nos cafezais, a Fazenda Traviú, em Jundiaí, onde se plantava café. Com a grande geada de 1.918, desapareceu o café e vicejou a uva que alí também cultivavam e esta, acabou por transformar-se na principal cultura que até hoje afama o Bairro do Traviú.

Foi seu filho, com ele imigrado aos 11 anos de idade, Antonio Carbonari, Comendador da Ordem do Cruzeiro do Sul pelos inestimáveis serviços prestados ao país no âmbito da vini-viticultura, quem trouxe do Bairro do Romagnollo em Trento, a imagem que até hoje adorna a Igreja do Traviú que substitui a pequena capela construída pelos ancestrais em 1.895, segundo relatos de Hilário Caniato. Antonio Carbonari, foi emérito seguidor dos trabalhos do pai, que culminaram com a criação de novas castas, aumentando a produtividade e melhorando a qualidade das uvas jundiaienses.

Hilário Caniato ( * São Paulo - 1.907), é filho de Giuseppe Caniatto ( * 1.880 - Rovigo - Vêneto ), agricultor que imigrou em 1.892 com sua mãe Luiza Zanforlin ( * Udine - Fríuli) e irmãos, vindo para Campinas (Helvetia), depois foi tentar o comércio atacadista de aves, ovos e produtos agrícolas. Voltaram a Jundiaí em 1.926, adquirindo propriedade em Currupira, próximo a Louveira. Sabe identificar os italianos pelo dialeto e maneira de falar, é pessoa muito lúcida e de grande saber. Possui propriedade rural que dirige pessoalmente até hoje no Bairro do Traviú, onde é lider muito estimado.

Em 1.877, Santo Cereser ( * Treviso - Vêneto), deixando a esposa Maria Piacentini e mais sete filhos na Itália, imigrou para o Brasil, fixando-se primeiramente na Fazenda Serra Negra, em Campinas, onde, após o trabalho dedicava-se ao plantio da vinha. Deixando a fazenda com dinheiro emprestado para receber a família que chegava em Santos, parou em Jundiaí na volta, certamente para visitar patrícios como Giambaptista Baldin, que com ele imigrara, ocasião em que combinaram aquisição a prazo, no bairro do Caxambú, do Sítio Três Marias, que conseguiram pagar mediante a venda de lenha que exploraram, segundo relatou o Jornal da Cidade de 02/02/1.980 .

Com as cêpas que plantara na Fazenda Serra Negra, à sua chegada, iniciou no Sítio Três Marias uma vinha que ganhou muita fama, dada sua qualidade, passando a fabricar vinho em uma cantina alugada ao seu cunhado, fundando em 1.926, a Humberto Cereser & Cia., que seu neto João, mais tarde, transformou na Viti-Vinícola Santa Isabel (1.936) e que hoje transformou-se na Viti-Vinícola Cereser S.A., segundo artigo do Jornal de Jundiaí de 21/02/1.982.

Notável também foi o depoimento de Silvério Furquim, um dos componentes da Banda Ítala, a respeito de seu pai Bruno Furquim ( * Pizzo - Província de Catanzaro - Calábria - 1.871), o qual imigrou primeiramente para a Argentina e Paraguai em 1.892, chegando em Jundiaí em 1.894. Profundo conhecedor das técnicas da poda e enxêrto, tornou-se empreiteiro desses serviços, tanto nas culturas de café como nas vinhas, nos bairros do Caxambú, do Traviú e no Distritos de Rocinha e Itupeva, onde uniu-se à família Tartaglia, casando-se com Veneranda ( * Campobasso, Província de Napoli - Campagna).

João Storani, nos deu precioso relato a respeito de seu pai, Benedetto Storani (* Macerata - Marche - 1.880 - imigrado em l.888), trabalhou com os seus na Fazenda Pedra Branca, da família Paes de Almeida em Campinas, vindo para Jundiaí em 1.895, para trabalhar como colono na Fazenda Malota, onde morava sua irmã. Após o trabalho na lavoura de café, comprava cereais excedentes dos plantios intercalados nas propriedades vizinhas e vinha negociá-los na cidade, com o que montou uma fábrica de macarrão, tocada a burros, na baixada do córrego do Mato.

Em 1.915, desejando viajar para a Europa, o Cel. Antônio Camillo de Morais, ofereceu-lhe a Fazenda Bonifácio "a fiado" e Benedetto, após certa relutância, resolveu arriscar. No princípio, além do café, vendia lenha para as Tecelagens para pagar a dívida, depois, a sorte o ajudou. A grande geada de 1.918, não atingiu suas terras e o preço do café foi aos píncaros. Conseguiu pagar a dívida e, em 1.922, já adquiria outra Fazenda: a Japy.

Tornou-se um grande empreendedor, juntamente com seus filhos, montando a Fiação e Tecidos Sant'Anna, em sociedade com Serafim Ricci dono de Armazém e moinho de fubá no Bairro do Pau a Pique e o português Manoel Matheus (comerciante), em Rocinha (hoje Vinhedo) em 1.930. Montou, mais tarde, uma usina de álcool-motor (30.000 l/dia) em Araraquara (Américo Brasiliense), para suprir a falta de combustível de petróleo que a Segunda Guerra causava.

Essa foi sem dúvida, a forma pela qual a evolução industrial de Jundiaí ocorreu, porque foi facilitada pela coincidência dos mesmos fatores, dispersos no tempo e no espaço, que incentivaram a eclosão da industrialização nacional: -"O município de São Paulo e as regiões circunvizinhas foram, por uma série de razões adiante mencionadas, os principais beneficiários das condições e fatôres que favoreceram a emergência do processo de industrialização no Brasil" (63).

A redução das importações de bens de capital e, principalmente, de bens de consumo devido ao primeiro conflito mundial, aliada ao incremento do consumo interno resultante dos novos costumes que se introduziram nas sociedades urbanas, fomentaram uma grande expansão industrial no país como um todo, em especial em São Paulo e em seu entorno, do que Jundiaí tirou vantagem.

Por outro lado, a cidade que possuía quatro grandes tecelagens, acompanhou o comportamento nacional no que diz respeito à expansão industrial propriamente dita, não com a instalação de novas fábricas durante e após a Primeira Guerra até 1.920 mas, pela ampliação das existentes, diversificação das atividades, quer no âmbito industrial, quer na agricultura, onde a fruticultura e a vinicultura se destacaram, principalmente pelo trabalho dos imigrantes italianos e seus descendentes.

Da relação de indústrias anteriormente citadas, excetuando-se a Gordinho Braune, fundada durante a Guerra (1.915), os demais grandes estabelecimentos, em sua maioria, foram ampliados sobremaneira no período, recebendo capitais de imigrantes estranhos a Jundiaí, como foi o caso da Ferraria Agrícola (fundada por Frederico Wiggerd em 1.894), comprada por Alexandre Siciliano e a Tecelagem Trevisolli & Borin, transformada em Sociedade Industrial Jundiahyense com um novo capital de 500 contos de réis, em parte fornecido por Ernesto Diederichsen, da casa comercial Theodor Wille & Cia. Ltda. de São Paulo (64).

É interessante verificar-se, como certas intervenções no mercado externo propiciavam implantações de indústrias que talvez não tivessem ocorrido. É o caso da Gordinho Braune, uma indústria de polpa de papel, que instalou-se e existe até hoje na região de Jundiaí porque, na época de sua instalação, as taxas de importação de papel eram baixas, pois interessava aos governos o apoio político dos jornalistas, ocorrendo o contrário com a pasta de papel, cujas elevadas taxas, estimulavam sua produção no país (65).

Os inquietos imigrantes não se deixaram imobilizar durante esse período, tornando as produções de vinho, até aí caseiras e improvisadas, em nascentes indústrias. Assim, Giuseppe Rossi (* Ostiglia - Província de Mantova - Lombardia - 1.868) imigrado em 1.888, casado com Dirce Magni Rossi (* Padova - Venezia Eugania), com dois filhos, Henriquetta e Alberto, havia se instalado no Bairro de Monte Serrat (Distrito de Itupeva) em 1.903, plantando uva de "a meia" , conforme seu filho Demétrio Rossi.

Urbanizou-se em 1.911, montando um armazém na atual Av. Dr. Cavalcanti, esquina com a Rua Princeza Izabel, bem como uma máquina de fubá e, posteriormente, uma cantina de vinhos e sucedâneos (1.918), que mais tarde os filhos transformaram em uma empresa, a Alberto Rossi & Irmãos (1.922), segundo depoimento de Osvaldo Rossi, filho de Alberto e neto de Giuseppe.

A viticultura que se iniciara com a instalação do Núcleo Colonial Barão de Jundiaí em 1.876, encaminhou-se para a exploração econômica, partindo em 1.913 de uma lavoura de 500.000 pés e uma produção de vinho de 150.000 litros, para 5.000.000 de pés e 2.000.000 de litros em 1.934 (66).

Essa evolução não se deu por acaso, para ela contribuindo também imigrantes italianos, que já haviam se instalado e emancipado em outros países, como Arthur De Vecchi ( * Treviso - Vêneto - 1.868 - imigrado para o Brasil em 1.908), o qual vinha de uma experiência viti-vinícola em Mendonza na Argentina para onde imigrara no século passado.

Arthur, descendente da nobreza italiana, ainda segundo sua bisneta Bianca De Vecchi Bocchino, instalou-se no Brasil, primeiro no Município de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, onde adquiriu uma usina de açucar. Transferiu-se posteriormente para Jundiaí, instalando-se em um sítio no Bairro do Caxambú (Toca), iniciando sua empresa em 1.913. Em 1.918, adquiriu a Fazenda Progresso ao sul da Vila Arens (que deu origem ao nome do bairro: Vila Progresso), implantando ali, a maior cultura vitícola do país: 360.000 cêpas. Em 1.920, fundou o Estabelecimento Enológico De Vecchi, transformado mais tarde na Companhia Viti-Vinícola Paulista S.A. (1.928), modelar empresa vinícola, cuja fama de seus produtos, muito engrandeceu Jundiaí.

Sob o aspecto cultural, relata Da. Nair Rossi (Aninha), ter sido em uma sala do Armazém de Giuseppe, seu avô, que o velho Enrico Pellicciari ( * San Felice - Província de Modena - Emília - 1.868 - imigrou em 1.885), seus filhos Umberto, Amilcar, Arthur e Orestes, juntamente com o Maestro Arthur Vasques, Alberto Rossi e outros, em maio de 1.918, resolveram fundar a Corporação Musical Ítalo-Brasileira, a famosa "Banda Ítala", que por mais de sessenta anos, abrilhantou inúmeros eventos cívicos e sociais da cidade.

Além do velho Enrico, muitos outros italianos fizeram parte dessa Banda, dentre os quais destacaram-se os Maestros Giuseppe Bovolenta e Frederido Nanno. Enrico era o dono de uma fábrica de cadeiras na Rua da Estação, atual RioBranco, esquina com Lacerda Franco, que mais tarde levou a razão social Irmãos Pellicciari, em cujo barracão a Banda iniciou seus ensaios antes de tornar-se uma Corporação.

É oriundo dessa época, o Ginásio Prof. Luiz Rosa, fundado em 1.917 e que até hoje funciona (Curso Objetivo). Localizou-se primeiro, na R. do Rosário, sucedendo ao Collégio Hydecroft, passando depois para os fundos da casa de Raphael Ungaro, na mesma rua, ao lado do atual Palácio da Justiça e, finalmente, sediou-se pouco abaixo em uma casa que pertenceu a Jader de Castro, segundo minha avó Maria do Carmo Guimarães Pellegrini que lá lecionou francês por muitos anos.


(54) O Industrial. Rio de Janeiro, 11 de maio de 1 882.

(55) LUZ, Nícia Vilela. A luta pela industrialização do Brasil (1.808 a 1.930). São Paulo, Dif. Européia do Livro, 1.961. p. 64 -67.

(56) ibidem, op. cit. p. 73-77.

(57) ibidem, op. cit., 71 p.

(58) DEAN, Warren. op. cit., 51 p.

(59) Op. cit.. p. 52-53.

(60) PEREIRA, José Carlos. Estrutura e expansão da indústria em São Paulo. São Paulo, Ed. Nacional, 1.967. 10 p.

(61) FERNANDES, Florestan. A integração do Negro na sociedade de classes. São Paulo, Dominus Editora, 1.965. 25 p. * Observe-se dois casamentos de italiano e descendente com famílias de fazendeiros: Ignacio Pellegrini, que casou-se com Da. Maria Angélica Vieira dos Santos Camargo, de tradicional fa- mília de Campinas e Osmundo dos Santos Pellegrini, que casou-se com Alice Queiroz Guima- rães, de tradicional família de Jundiaí.

(62) FILLIPPINI, Elisabeth. O Núcleo Colonial Barão de Jundiaí e a Cidade. In: Cem Anos de imigração italiana em Jundiaí. Jundiaí, Edit. Estudio RO, 1.988. 93 p.

(63) PEREIRA, J. C.. op. cit., 15 p.

(64) ÁLBUM HISTÓRICO E DOCUMENTÁRIO DE JUNDIAÍ (1.865 - 1.965). Jundiaí, Ed. Cinerama, 1.965. 48 p.

(65) DEAN, Warren. op. cit., 93 p.

(66) INGLEZ DE SOUSA, J. S. op. cit., p. 32 - 41.



 
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