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Home » Vita Mia » Imigração e Industrialização nos Municípios Paulistas » Capítulo IV
Não só os imigrantes do século passado foram importantes no que diz respeito à implantação da indústria viti-vinícola em Jundiaí. Hermes Traldi ( * Viadana - Província de Mantova - Lombardia - 1.890 - filho de ourives imigrado em 1.913), conforme nos relatou seu filho Alberto, era técnico contábil e veio a convite de um tio para trabalhar nos Grandes Moinhos Gamba (hoje Moinho Santista), em São Paulo. Em 1.924 transferiu-se para Jundiaí, onde montou estabelecimento vinícola à Rua Barão de Jundiaí, esquina com a R. Jacintho Borges (hoje Cândido Rodrigues), produzindo vinho e sucedâneos com uvas adquiridas de sitiantes italianos da Colônia, Caxambú, Rio Acima e Varginha. Comprou um terreno à Rua Campos Salles, onde, em 1.925, iniciou a construção de uma grande indústria vinícola que concluiu em 1.930. Adquirindo terras no Bairro de Santa Clara e na Serra do Japy, plantou das melhores castas sob a orientação de Francesco Mazzei ( * Volterra - Província de Pisa - Toscana - 1.886 - imigrou em 1.927, engenheiro agrônomo), obtendo híbridos finos de uvas francesas, italianas e alemãs, segundo Marino Mazzei, filho deste. Daí Traldi expandiu-se para Cabreúva, Santo Antonio do Pinhal, Santo Antonio do Jardim no Estado de São Paulo e Andradas em Minas Gerais. Atesta Geraldo Barbosa Tomanik que em 1.926, Estevam Campanaro e Eudiano Gáspari (filho de Giuseppe Gaspari - * Recoaro - Província de Vicenza - Vêneto, mestre sapateiro - imigrou em 1.870), empreitaram a Giaccomo Venchiarutti ( * Ozopo - Província de Udine - Fríuli - 1.894 - Mestre de Obras - imigrou em 1.916) a construção do Cine-Theatro República na Av. Rio Branco, rua da estação, o qual tinha seu projeto copiado do Teatro Municipal de Jaboticabal, que havia sido construído pelo mesmo Giaccomo. É da mesma época (1.919), a instalação do Cine Ideal, um barracão coberto de zinco nos fundos do Grêmio, na R. Rangel Pestana, que mais tarde se transformou em rink de patinação (1.930), voltando a ser cinema posteriormente, até seu fechamento em 1.950. Campanaro erigiu nessa época (1.926), um marco arquitetônico importante, qual seja um prédio assobradado clássico, com traços do movimento Art Nouveau, encimado por um torreão, na esquina da Rua Barão de Jundiaí com o Largo do Rosário, atual Praça Ruy Barbosa, com projeto elaborado por Antonio Mila, em cuja execução trabalharam Pietro Bortolini ( * Pordenone - 1.882 - Província de Udine - Fríuli - imigrado com sete filhos em 1.923 pelo vapor Valdívia) e seu filho Paulo, que nos forneceu este relato. Paulo Bortolini, ainda conta que seu pai, combatente do Exército Italiano, prisioneiro de guerra por dois anos na Romania durante a Primeira Guerra Mundial, era um moleiro, isto é, construtor de moinhos e rodas d'água, tendo ido trabalhar na Fazenda Santa Gertrudes no Distrito de Itupeva, em 1.923 quando imigrou, "para livrar os familiares dos horrores da guerra". Fazia a conservação do moinho daquela fazenda dos Queiroz Telles e trabalhou depois nos Armazéns Reguladores de Café no Distrito de Campo Limpo, vindo em seguida para Jundiaí como mestre na empreitada que Giovanni Galimberti & Figlio (de São Paulo) havia contratado para a construção da Tecelagem Glória na Ponte de São João. Relata-nos também Tomanik que em 1.928, Dr. Olavo Queiroz Guimarães, fêz reformar o Pavilhão, transformando-o no Cine-Theatro Polytheama, com frisas, balcões e camarotes, aumentando sua capacidade para 2.920 espectadores, o maior do interior dentre os 214 teatros que possuía o Estado de São Paulo. Nessa empreitada, trabalharam além dos antigos construtores, os frentistas Giacomo Venchiarutti e Giovanni Morandini, sob a orientação do arquiteto Emmanuel Gianni. A decoração interna ficou a cargo do pintor Camilo Meloni ( * Rio Claro - 1.906), o mobiliário de Guido Pelliciari & Cia.. Grandes Companhias estrangeiras alí se apresentaram após a reinauguração em 25/0l/1.928, com três operetas apresentadas pela Companhia Clara Weiss e, sob a regência do Maestro Giuseppe Petri. O concessionário continuou sendo Estevam Campanaro, então o primeiro Vice-Cônsul da Itália em Jundiaí. Note-se a presença dos imigrantes em tudo que aí se fez. Relatou-nos Nelson Pedro Meloni Pereira, que a origem de Camilo pintor e decorador, seu tio-avô, é notável. Era filho de Amadeu Meloni (* Avelino - Campagna - 1.867), que aos 8 anos de idade fugiu dos pais e embarcado, "deu a volta ao mundo", chegando a Jundiaí por volta de 1.877, quando raptou Angela Zomignani, dada a oposição dos pais ao casamento e foi com ela para a Itália. Voltou para a América, ingressando na Argentina em 1.906, vindo de lá para o Brasil, instalando-se em Rio Claro SP, de onde voltou para Jundiaí. A família presume que a profissão de pintor que três, dos seis filhos de Amadeu, herdaram, teve origem na atividade que o pai desenvolvera no navio, em suas andanças pelo mundo. Um típico aventureiro. Segundo Warren Dean, a produção industrial per capita em São Paulo, de acordo com os censos 1.920 e 1.940 - aplicados os índices de custo de vida respectivos - teve um crescimento superior a 110 %, concluindo que: "No transcurso destas duas décadas não se observará nenhuma transformação muito pronunciada da estrutura da indústria paulista. Conquanto se possa notar uma produção grandíssimamente aumentada em alguns setores durante a década de 1.930 especialmente no ramo dos tecidos de algodão, do cimento e do ferro gusa, cumpre ter em mente que os tecidos de algodão já não constituíam inovação e quase todos os recursos para a produção desses três itens já haviam sido instalados por volta de 1.929" (67). Como em Jundiaí, na década de 1.920, não se expandiu o plantio de café, os capitais emergentes das altas do pós-guerra acabaram por se transformar em empreendimentos industriais que, os imigrantes ou seus descendentes também produziram. São dessa época (ver Apêndice deste trabalho), a Fundição Esperança de Neli Fioravanti & Filhos, fundindo ferrosos e não ferrosos, discos para moinhos de café e peças para máquinas de fiação e tecelagem no bairro de Pitangueiras (1.922); a Tanoaria Paulista de Alfredo de Vito na Ponte de São João (1.922), o Cotonifício FIDES de Rappa & Milani Ltda. na Vila Arens (1.923), o Pastifício Moderno de Franchi & Orsi Ltda. e o Café Avenida na Vila Arens (1.923), a Fábrica de Ladrilhos Balaústres e Ornatos de Merighi & Consentino Ltda. (1.924) a Companhia Cerâmica Jundiahyense S/A na Ponte de São João (1.924), a Indústria Vinícola Caxambú de Antonio Borin & Cia. Ltda. (1.925), a Viti-vinícola Santa Izabel no Bairro do Caxambú (1.926), A Jundiaiense - Refrigerantes, Rums e Cognacs de Ferrazzo & Cia. na Vila Arens (1.927), a Fundição de Ferro e Bronze e Mechanica Brasil de Pedro Dal Santo & Cia. na Vila Arens (1.928), Perfumaria Meia Lua de Luiz Milani & Irmão, na Bela Vista - fabricante de sabões, sabonetes, talco e água de colônia - (1.928); o Estabelecimento Enológico De Vecchi na Vila Arens (1.928),a Cerâmica União Corradine (1.928), mais tarde, Sammarone S.A. Indústria Cerâmica no Bairro do Botão, a Jundiaí Retífica de Motores Ltda. de Honigman & Cia. (1.929), Serraria São Miguel de Miguel di Constanzo & Filhos (1.930), os Estabelecimentos Viti-vinícolas Hermes Traldi (1.930), e a Cerâmica Vila Rami de Antonio Cardia Jr. & Cia (1.930). (68) Igualmente importante, foi o testemunho de Vasco Corradine a respeito de seu pai Angelo Di Valente Corradine ( * Mantova - Lombardia - 1.887 - imigrado em 1.896), que indo trabalhar na Fazenda Tapera Grande em Bethlem (hoje Itatiba), acabou por adquirir uma parte da mesma de um outro imigrante, Massagardi, com economias amealhadas no duro trabalho de uma olaria que lá montara. Vindo posteriormente para Jundiaí, em 1.928 montou a Cerâmica União Corradine, produzindo manilhas e telhas de barro vidrado em escala industrial. Luigi e Fortunato Milani, ( * Rossano - Província de Vicenza - Vêneto - 1.892 e 1.894), imigrados em 1.895, trouxeram em 1.916, quando vieram para Jundiaí, a poesia dos que tiram os perfumes da natureza. Montaram, com a tradição que tinham da velha Venezia a Perfumaria Meia Lua que, por muitos anos forneceu e até exportou seus produtos às melhores sociedades da América. Seu irmão Giuseppe ( * Rossano - 1.869 - imigrado em 1.895) permaneceu em Valinhos, onde a família havia se instalado quando imigraram. Lá montou com outros parentes a Fabrica Gessy de sabão e sabonetes que por muitos anos angariou enorme fama nacional, inclusive no exterior, exportando para toda a América e Europa. É mais um exemplo da experiência e tradição que os imigrados traziam e mantinham em sua nova pátria, segundo relatos de Fortunato Milani, filho e sobrinho dos citados. Apesar do reaparecimento dos preconceitos contrários à indústria e aos produtos nacionais conforme citam, Furtado, Baer e Dean, o retrocesso que aparentemente se deu no parque industrial, ou na sua produção, foi relativo, porque a produção aparentemente não cresceu no mesmo rítmo da década anterior em Jundiaí. Isto devido à diversificação das atividades industriais, que manteve relativamente acesa a evolução econômica, principalmente onde atuavam os imigrantes ou seus descendentes, conforme se pode perceber na relação supra, de indústrias por eles criadas no período. Mesmo depois da depressão e durante o período de retomada das atividades, tem-se a impressão de que, ainda atingindo duramente a alguns fazendeiros de café, a crise de 1.929 não afetou Jundiaí tão diretamente como nos demais municípios cafeeiros, o que provavelmente se repetiu em municípios industrializados como Sorocaba e outros. Dean inclusive acha, que praticamente reduzida a plantação de cafeeiros entre 1.933 e 1.942, não tendo se afetado a produção de café e mantendo-se o consumo interno e a exportação, as divisas advindas da exportação de algodão e tecidos, supriram o mercado de tal maneira que as demais produções, necessárias ao consumo interno, mantinham-se "parelhas com o crescimento vegetativo da população." (69) O movimento nacionalista da década de 20, atingiu a imigração, primeiro de uma forma sadia, obstando a entrada de deficientes, velhos acima de 60 anos, prostitutas etc; depois, com a nacionalização da pesca, do comércio e dos bancos, bem como, por uma inexplicada campanha anti-nipônica, que de toda forma não se justificava. Após a Revolução de 30, recrudesceu o movimento anti-semita por influência da Ação Integralista Brasileira, movimento nazi-fascista fundamentado na ideologia nacionalista. Essas idéias anti-imigratórias, na realidade não encontraram respaldo na sociedade mas, lamentavelmente, persistiram em virtude de leis acobertadas por dispositivos constitucionais, somente alterados em 1.946, devido ao período ditatorial. Mesmo após a constituição de l.946, mantiveram-se algumas restrições à naturalização e ao exercício de certas atividades públicas, militares e empresariais, dado que leis e decretos da Ditadura não foram revogados. Isto tudo, causou aos imigrantes e oriundi muitos problemas de adaptação cultural e exercício de cidadania, restringindo sua mais relevante contribuição que os habilitava ao incremento de novas atividades, portadoras do munus do desenvolvimento econômico-social.(70) Demograficamente, Jundiaí que tivera acentuado crescimento desde o início da imigração em 1.870 (7.805 habitantes), até 1.920 (44.437 habitantes) - Censos Nacionais - alcançou 59.174 habitantes em 1.934 (71) decaíndo para 58.203 em 1.940. Não tendo ocorrido nessa época qualquer desmembramento territorial, é possível ter havido algum êxodo, talvez causado pela desativação de cafezais e alguma automatização industrial, uma vez que o crescimento econômico aumentou como se pode perceber entre o relatório da Festa da Uva de 1.934 e dados levantados em 1.938. O primeiro publicado n'O Popular, edição comemorativa, cita " estarem empregados na indústria 6.153 operários, com um capital investido de Rs. 39.639:739$000, em 8 fábricas de Tecidos (800 teares e 26.000 fusos), 5 grandes estabelecimentos vinícolas e 36 pequenos, uma fábrica de chapéus, 2 de massas alimentícias, 4 cervejarias e outras de bebidas e conexos, 4 de mobiliário, 4 serrarias, 1 de máquinas para lavoura, 12 de ladrilhos, telhas e tubos, 2 cerâmicas finas, 2 de sabão perfumado, 4 fundições de ferro e bronze, 4 de veículos (troles, cabriolets e carroças) e 3 cortumes. A cidade contava com 28.607 habitantes em 5.134 prédios", ou seja, 48,34% do total, sendo portanto, até então mais numerosa, a população rural. Por outro lado, a população urbana ocupada na indústria representava 21,5% do total. O que se observou na década de 30, foi o declínio da importância cultural e educacional da cidade, pois não vicejaram, como nas décadas anteriores, os teatros e colégios que fomentam esse âmbito social. Os únicos eventos importantes de que se têm notícia foram a fundação por Eduardo Tomanik, pai de Geraldo, da Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística em 1.932 e a criação do grupo teatral amador "Taba de Pajé" , itinerante por todos os teatros da cidade e circos dos Distritos que, de 1.931 a 1.936, levou a mensagem do teatro moderno a todo o município e região. Compunham esse grupo Ammerico Maffia, Aroldo Moraes Jr., Rogério Baston, Deodato Pestana (ao piano), Alzira Klein e outros, segundo depoimento de Geraldo Barbosa Tomanik. Segundo levantamento que fizemos no período citado, as indústrias formadas por italianos ou seus decendentes foram: Perfumaria Meia Lua de Luiz Milani & Irmão - sabões, sabonetes, dentrifícios, talco e água de colonia, à R. Bela Vista (1.928); Indústria de Bebidas Ferraspari Ltda. (1.932); Guido Passarin & Filhos - vinhos, na Ponte de São João (1.932); Refinadora Santa Maria de Luigi Constantino Bocchino & Cia., na Vila Arens (1.932); O Popular de Hugo Olivato - tipografia (1.934); Fabrica de Seda Alexandre Milani & Filhos (1.934), localizada na R. Barão do Rio Branco, onde hoje está a garagem da Viação Cometa; as Indústrias Francisco Pozzani S/A - velas, filtros e porcelana doméstica na Ponte de Sào João (1.934); Indústrias Andrade Latorre Ltda. - fósforos de segurança, no bairro da Barreira (1.935); Irmãos Peliciari Ltda. - móveis de madeira, no bairro de Pitangueiras (1.935); Irmãos Martin Ltda., Serralheria Padronizada (1.936); Miguel Marchetti S.A. Indústria Gráfica (1.936);Luis Vicente Casserino & Cia. Ltda. - gráfica na Vila Arens (1.936); Fiação e Tecelagem São Luiz de Milani & Cortina Ltda. (1.940) e Companhia Industrial de Conservas Alimentícias - CICA - doces e produtos em conserva no bairro de Pitangueiras (1.941). Cada uma delas tem em sí a história de um imigrante, como a de Luiz Constantino Bocchino (* Avelino - Campagna - 1.884) que, segundo seu filho Mário, imigrou em 1.909, indo trabalhar na Distillerie Elequeiroz no Distrito de Várzea como guarda-livros e, mais tarde, em uma firma construtora de um primo em São Paulo. Com o que amealhou voltou a Jundiaí e montou um armazém de secos e molhados em sociedade com Cândido Mojola em 1.926 no qual ficou, posteriormente, com os filhos, formando em l.935 a firma L. Bocchino & Filhos. Nesse intervalo, fundou em 1.932 a Refinadora de Assúcar Santa Maria. Há também aqueles que vieram pelo espírito de tentar uma nova vida, como Luigi Scavone ( * Tito - Província de Potenza - Basilicata), conforme nos fez minucioso relato Hilda Latorre de França Silveira. Trazendo algum capital, instalou-se em Bethlem, atual Itatiba, trabalhando com o cunhado Odoni, onde foi bem sucedido. Voltou à Itália para trazer a mãe, e com ela, veio também seu primo Antonio La Torre ( * Tito - Província de Potenza - Basilicata - 1.887), chegando eles ao Brasil em 1.900. Trabalhando juntos construíram um império com fiação e tecelagem de lã e algodão, fazendas e a Companhia Brasileira de Fósforos de Segurança e até um banco: o Scavone. Antonio casou-se com uma compatriota Luccia Perrone, nascendo Luiz Latorre ( * Itatiba, SP - 1.912 ), seu primeiro filho, que não se adaptando aos estudos, foi trabalhar na fábrica de fósforos de Limeira, chegando a gerente, ocasião em que a indústria foi vendida com o copromisso de não montarem, os vendedores, outra indústria similar na região. Luiz, mantendo a tradição da família, inconformado e dinâmico, procurou sociedade com José Andrade, português amigo da família, radicado em São Paulo, com importação e comércio de produtos alimentícios e bebidas. Montou em Jundiaí uma fábrica de fósforos, fundando com Andrade, as Indústrias Andrade Latorre S.A., em 1.935. De lá para cá, até seu falecimento ocorrido recentemente, criou um complexo industrial com 15 fazendas de reflorestamento de pinho no Paraná, com o que evitou ser "engolido" pelo pool do fósforo formado pelo grupo canadense que domina o setor no Brasil. Auxiliou-o nessa empreitada o primo, Mariano Latorre ( * Tito - Província de Potenza - Basilicata), que seu pai havia mandado trazer da Itália. Inventivo e capacitado, Mariano aperfeiçoou as máquinas, automatizando-as e aumentando a produtividade com sistemas contínuos, tornando a Fábrica de Fósforos Argos e Guarani, matriz desse complexo, em Jundiaí, uma expoente do ramo. A ele seguiram-se constantes imigrações de conterrâneos, trazidos por Luiz, enriquecendo o quadro daquelas empresas. Luiz Latorre, foi o segundo prefeito eleito do município de Jundiaí, após o período ditatorial do Estado Novo de Getúlio Vargas, cumprindo ótima gestão de 1.950 a 1.954. É interessante salientar que os pais de Antonio, Miguel La Torre e Luccia Scavone, irmã de Luigi, bem depois, quando aquele já era um bem sucedido industrial, imigraram para a Argentina com os filhos. Jamais vieram ao Brasil. Hilda visitou as famílias Scavone e La Torre que até hoje têm remanescentes em Tito na Itália, deduzindo que as migrações daquelas famílias, em gerações distintas, tinham fundamento na incapacidade física de suas propriedades em conter e manter as sucessivas gerações. Como a aquisição de mais terras era difícil, porque o problema é generalizado e ainda constantemente agravado pela invasão das regiões rurais pelas indústrias; a solução era mesmo imigrar. Leonardo Pozzani (* Verona - Vêneto - 1.870 - imigrou em 1.890), foi lavrador assalariado na Itália e no Núcleo Colonial Barão de Jundiaí. De seu casamento com Mathilde Scipione teve, dentre outros filhos, Francisco (* Jundiaí - 1.899), o qual casando-se com Ermida Pellicciari, sobrinha de Sperandio, instalou-se na Rua Santa Maria na Ponte de São João, trabalhando na Companhia Cerâmica Jundiaiense como fundidor de sanitários, conforme depoimento de seu primogênito Leonaldo. Seu segundo filho foi acometido de tifo e, necessitando de um filtro de porcelana para dar-lhe água pura, obteve-o a muito custo no Almoxarifado da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Vendo o material, um filtro Lete italiano, achou que seria capaz de fabricá-lo. Estimulado por seus patrões, Dr. Castilho e Olavo Guimarães, iniciou experimentos em um barracão de sua casa. Obteve a licença de fabricação e venda da Secretaria de Higiene Pública em 1.934, quando montou nos fundos de sua casa uma fábrica de velas para filtro. Em 1.939, instalou uma cerâmica de sanitários na Rua Carlos Gomes, esquina com uma rua que hoje leva seu nome. Meses depois, adquiriu as instalações da antiga cerâmica Santa Josefina, onde hoje está a sede das Indústrias Francisco Pozzani S.A.. A guerra trouxe-lhe sérios problemas mas, procurando diversificar, produzindo louça doméstica, no início com grandes dificuldades, acabou por abrir um novo ramo: a porcelana. Seu prematuro falecimento não esmoreceu os filhos e genros que souberam dinamizar as fábricas e criar o grande complexo industrial que orgulha os jundiaienses. As Indústrias Pozzani S.A. são compostas por uma fábrica de velas para filtros de água potável, filtros industriais, filtros para freios, à Rua Santa Maria esquina com Santo Antonio; uma fábrica de potes de barro, envoltórios para filtros, torneiras e tampas, bases e acessórios de plástico para potes, com galvanoplastia, na Vila Graff, uma fábrica de louça doméstica refratária no Bairro de Santo Antonio e a matriz à Rua Carlos Gomes dedicada à produção de porcelana doméstica. Conforme depoimentos de meu pai que com ele conviveu, Antonino Messina ( * Riposto - Província de Catania - Sicília - 1.899) imigrou em 1.919, após a Primeira Guerra Mundial, fixando-se em São Paulo onde casou-se com Idalina Guzzo, filha de italiano fazendeiro em São Paulo, dedicando-se, segundo sua neta Silvana, ao comércio atacadista de secos e molhados, bem como, de frutas e conservas, tendo aberto a Casa Messina no Gazômetro, na zona cerealista da capital. O grande sonho de Antonino, conta-nos Silvana, trazendo inestimável testemunho a este trabalho, sempre foi a instalação de uma indústria de conservas alimentícias, realizando-o após transferir-se para Jundiaí, em agosto de 1.941. Juntamente com Alberto Bonfiglioli, Mário Rappa e outros, fundou a Companhia Industrial de Conservas Alimentícias - CICA, empresa modelar do ramo no Brasil. O projeto dessa indústria foi confiado ao competente Arquiteto Vasco Antonio Venchiarutti ( * Araraquara - 1.920), filho de Giaccomo imigrante já citado, que a construiu. Vasco foi Prefeito de Jundiaí por duas vezes, a primeira, eleito em 1.946, logo que caiu o Estado Novo e a segunda em 1.954, segundo relato de meu pai que foi seu Secretário de Obras e Serviços Públicos. Antonino, auxiliado por seu filho Salvador (Turillo), segundo Silvana Messina, elevou tão alto o nome de sua empresa e seus produtos que, em dezembro de 1.956, foi agraciado pelo Governo Brasileiro com a Comenda da Ordem do Cruzeiro do Sul, posteriormente, em 1.959, com o título de Cidadão Honorário de Jundiaí, pela Câmara Municipal e finalmente, com a Comenda da "Stella Della Solidarietá Italiana" pelo Governo Italiano, por inestimáveis serviços prestados à coletividade italiana do Brasil e às relações comerciais, culturais e de amizade entre os dois países. Mais uma vez a família Milani constitui por meio de um de seus imigrados uma empresa: a Fiação e Tecelagem São Luiz, que assim se chamou devido ao nome dos seus sócios: Luigi. Um deles, Luigi Antonio Cortina ( * 1.888 - Padova - Vêneto - imigrado em 1.894), e o outro, já referido, Luigi Milani que havia fundado a Perfumaria Meia Lua, também no Bairro da Bela Vista. Cita, Salvatore Pisani, em 1.938: - "La colletivitá italiana residente en questo Municipio si calcola costituida di circa 8.000 persone; e figli d'italiani si fanno ascendere a circa 17 mila. I nostri connazionali, in grandissima maggioranza, si occupano dei lavori rurali, specialmente della coltura della vite; ma in buon numero sono anche colóro che si dedicano alle atività industriali e al commércio e colóro che esercitano le arti e mestieri. Possiedono 630 proprietà agricole, con una estensione di 8.518 alqueires per il valore di 10.447 contos di reis. Si puo dire in complesso che il 65% delle proprietà rurali e urbane del municipio di Jundiahy appartiene ad italiani e a discendenti d'italiani".(72) Portanto, 13,51% da população eram italianos e 28,72% eram seus descendentes, alcançando, no total mais de 42% da população do município.
Eram tantos que Roque de Barros-"o poeta da Ponte"
dedicou aos bravos imigrantes italianos,aos fundadores e aos
primeiros moradores do Bairro S.João Batista, esta trova:
Composta em homenagem ao dia de S. João, publicada no Suplem. Especial do Diário de Jundiaí de 23.6.63. |
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